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quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Como o Fenix

Fitoterapia é o tratamento de doenças feito através de plantas medicinais, elas estimulam as defesas naturais do nosso corpo. Esta é uma forma de terapia ,mas não substitue o tratamento médico tradicional (embora seja um grande aliado na prevenção e cura de doenças.) O tratamento através de ervas medicinais datam de priscas eras, em todos os povos existem notícias das curas através das plantas.

Anote a receita, para o tratamento da menopausa.

*Hortelã-pimenta

2 copos de água fervendo
2 colheres de sopa de folhas fatiadas de hortelã-pimenta

Deixe as folhas fatiadas em infusão durante 20 minutos em recipiente tampado. Coar e beber 3 xícaras de chá por dia.

*Soja

2 colheres de sopa de grãos moídos de Soja
3 copos de água

Modo de fazer:

Ferva os grãos moídos durante 15 minutos em recipiente tampado. Coe e beba três xícaras de chá por dia.

* Menopausa

Fase da vida da mulher, que ela deixa definitivamente de mestruar . A menopausa é causada por uma diminuição na produção de hormônios pelos ovários. As ondas de calor podem ser amenizadas através de uma dieta ,caminhadas e também com a ajuda das ervas medicinais.


*Ah!!! Este período eu conheço bem. Já que passei (!?) por esta fase há vários anos. Tentei de tudo! Hormônios, tratamentos mais amenos, nada deu resultado. O calor é terrível. A cabeça esquenta , tanto,tanto, que se colocar os milhos de pipocas direto na cabeça ,é capaz de estourar ...Á noite quando se dorme e um 'tira e bota' cobertas, que quase sempre não se consegue dormir a gente acorda cansada. Isso ,sem falar na irritação que somos acometida. Na mudança de humor, na vontade de chorar...
Parece ,que estou pintando um quadro com tintas fortes. Mas aconteceu tudo ao mesmo tempo comigo. Já que fiz um cateterismo.
Uma angioplastia.
Fiquei diabética , dependente de insulina, hipertensa, com colesterol e triglicerídios nas alturas.Ufa!
Hoje estou melhor, após seis ou sete anos de 'lutas' comigo mesma. Como o 'Fêniz' eu consegui renascer das próprias cinzas.

sábado, 11 de julho de 2009

Uma prosa

Sergio Porto assinava nas suas máterias o psedônimo de Stanislaw Ponte Preta ,eram muito interessante as suas crônicas, eis uma 'palinha'.



"Assim como o locutor esportivo jamais chamou nada pelo nome comum , também o reporter policial e um entortado literário.
Nessa classe, os que se prezam nunca chamariam um hospital de hospital. É um nosocômio. E assim sucessivamente. Qualquer cidadão que vai á polícia prestar declarações que possam ajudá-la numa diligência ( apelidos que eles puseram no ato de investigar), é logo apelidado de testemunha-chave.
Suspeito é "Mister X", advogado é causídico; soldado é militar, marinheiro é naval; copeira é doméstica e, conforme esteja deitado a vítima de um crime - de costas ou de barriga para baixo - , fica numa destas duas posições incômodas: decúbito dorsal ou decúbito ventral."

sexta-feira, 10 de julho de 2009

A visita do 7 pecados

Certo dia, um casal ao chegar do trabalho encontrou algumas pessoas dentro de sua casa.
Achando que eram ladrões, marido e mulher ficaram assustados, mas um homem
forte e saudável, com corpo de halterofilista disse:
- Calma pessoal, nós somos velhos conhecidos e estamos em toda parte do mundo.
- Mas quem são vocês? - pergunta a mulher.
- Eu sou a preguiça - responde o homem másculo.
- Estamos aqui para que vocês escolham um de nós para sair definitivamente
da vida de vocês.
Como pode você ser a preguiça se tem um corpo de atleta que vive malhando
e praticando esportes? - indagou a mulher.
A preguiça é forte como um touro e pesa toneladas nos ombros dos preguiçosos.
Com ela, ninguém pode chegar a ser um vencedor.
Uma mulher velha curvada, com a pele muito enrugada, que mais parecia uma bruxa diz:
- Eu, meus filhos, sou a luxúria.
- Não é possível! - diz o homem
- Você não pode atrair ninguém com essa feiúra.
- Não há feiúra para a luxúria, queridos. Sou velha porque existo há muito tempo entre os homens. Sou capaz de destruir famílias inteiras,
perverter crianças e trazer doenças para todos, até a morte.
Sou astuta e posso me disfarçar na mais bela mulher.
E um mau-cheiroso homem, vestindo roupas maltrapilhas, que mais parecia um mendigo, diz: - Eu sou a cobiça, por mim muitos já mataram, por mim muitos abandonaram famílias e pátria.
Sou tão antigo quanto a luxúria, mas eu não dependo dela para existir.
- E eu, sou a gula, diz uma lindíssima mulher com um corpo escultural e cintura finíssima.
Seus contornos eram perfeitos, e tudo no corpo dela tinha harmonia de forma e movimentos. Assustam-se os donos da casa, e a mulher diz: - Sempre imaginei que a gula seria gorda.
- Isso é o que vocês pensam! - responde ela.
- Sou bela e atraente, porque se assim não fosse, seria muito fácil livrarem-se de mim.
Minha natureza é delicada, normalmente sou discreta, quem tem a mim não se apercebe, mostro-me sempre disposta a ajudar na busca da luxúria.
Sentado em uma cadeira num canto da casa, um senhor, também velho, mas com o semblante bastante sereno, com voz doce e movimentos suaves, diz:

- Eu sou a ira. Alguns me conhecem como cólera. Tenho muitos milênios também.
- Não sou homem, nem mulher, assim como meus companheiros que estão aqui.
- Ira? Parece mais o vovô que todos gostariam de ter! - diz a dona da casa.
- E a grande maioria me tem! - responde o vovô.
- Matam com crueldade, provocam brigas horríveis e destroem cidades quando me aproximo. Sou capaz de eliminar qualquer sentimento diferente de mim, posso estar em qualquer lugar e penetrar nas mais protegidas casas. Pareço calmo e sereno para mostrar-lhes que a Ira pode estar no aparentemente manso.
Posso também ficar contido no íntimo das pessoas sem me manifestar,
provocando úlceras, câncer e as mais temíveis doenças.

- Eu sou a inveja. Faço parte da história do homem desde a sua criação - diz uma jovem que ostentava uma coroa de ouro cravada de diamantes, usava braceletes de brilhantes e roupas de fino pano, assemelhando-se a uma princesa rica e poderosa.
- Como inveja, se é rica e bonita e parece ter tudo o que deseja?- diz a mulher da casa.
- Há os que são ricos, os que são poderosos, os que são famosos e os que não são nada disso, mas eu estou entre todos.
A inveja surge pelo que não se tem e o que não se tem é a felicidade.
Felicidade depende de amor, e isso é o que de mais carece a humanidade...
Onde eu estou, está também a tristeza.
Enquanto os invasores se explicavam, um garoto, que aparentava cerca de cinco a seis anos, brincava pela casa. Sorridente e de aparência inocente, característica das crianças, sua face de delicados traços mostravam a plenitude da jovialidade, olhos vívidos...
- E você, garoto, o que faz junto a esses que parecem ser a personificação do mal?
O garoto responde com um sorriso largo e olhar profundo: - Eu sou o orgulho.
- Orgulho? Mas você é apenas uma criança! Tão inocente como todas as outras.
O semblante do garoto tomou um ar de seriedade que assustou o casal, e ele então diz:
- O orgulho é como uma criança mesmo, mostra-se inocente e inofensivo, mas
não se enganem, sou tão destrutível quanto todos aqui, quer brincar comigo?
A preguiça interrompe a conversa e diz:
- Vocês devem escolher quem de nós sairá definitivamente de suas vidas.
Queremos uma resposta. O homem da casa responde:
- Por favor, dêem dez minutos para que possamos pensar.
O casal se dirige para seu quarto e lá fazem várias considerações.
Dez minutos depois retornam. - E então? - pergunta a gula.
- Queremos que o orgulho saia de nossas vidas.
O garoto olha com um olhar fulminante para o casal, pois queria continuar ali.
Porém, respeitando a decisão dirige-se para a saída. Os outros, em silêncio,
iam acompanhando o garoto quando o homem da casa pergunta:
- Ei! Vocês vão embora também?
O Menino, agora com ar severo e com a voz forte de um orador experiente, diz:
- Escolheram que o orgulho saísse de suas vidas e fizeram a melhor escolha.
P O R Q U E:
Onde não há orgulho, não há preguiça pois os preguiçosos são aqueles que se orgulham
de nada fazerem para viver, não percebendo que na verdade vegetam.
Onde não há orgulho, não há luxúria, pois os luxuriosos têm orgulho de seus corpos
e julgam-se merecedores.
Onde não há orgulho, não há cobiça pois os cobiçosos têm orgulho das migalhas
que possuem, juntando tesouros na terra e invejando a
felicidade alheia, não percebendo que na verdade são instrumentos do dinheiro.
Onde não há orgulho, não há gula, pois os gulosos se orgulham de suas condições e
jamais admitem que o são, arrumam desculpas para justificar a gula, não percebendo
que na verdade são marionetes dos desejos.
Onde não há orgulho, não há ira, pois os irosos com facilidade destroem aqueles que,
segundo o próprio julgamento, não são perfeitos, não percebendo que na verdade
sua ira é resultado de suas próprias imperfeições.
Onde não há orgulho, não há inveja, pois os invejosos sentem o orgulho ferido ao verem
o sucesso alheio seja ele qual for; precisam constantemente superar os demais nas
conquistas, não percebendo que na verdade são ferramentas da insegurança.
Saíram todos sem olhar para trás e, ao baterem a porta, um fulminante raio de luz invadiu o recinto.

(desconheço a autoria)

Os 7 pecados capitais

Pecado é um termo usado para descrever qualquer tipo de desobediência a Deus.
O pecado pode ser classificado como perdoável que não necessita de ser confessado caso haja arrependimento e em pecado capital os que necessitam de confissão, arrependimento e muitas vezes de penitência (na visão católica) para que a alma seja purificada. Os pecados capitais são aqueles que mais são praticados como vícios de conduta pelos homens. A partir da percepção dos pecados mais praticados, foram reunidos e enumerados no século VI pelo papa Gregório Magno, mas foram definitivamente incorporados e firmados no século XIII pelo teólogo São Tomás de Aquino.

Avareza: É o apego excessivo e descontrolado pelos bens materiais e pelo dinheiro, priorizando-os e deixando Deus em segundo plano. É considerado o pecado mais tolo por se firmar em possibilidades.

Gula: É a busca constante e incontrolável por comida e bebida, mas há quem também considere a gula por comprar, por usar, por possuir e outros.

Inveja: É o desejo exagerado por posses, status, habilidades e tudo que outra pessoa tem e consegue. O invejoso ignora tudo o que é e possui para cobiçar o que é do próximo.

Ira: É o intenso e descontrolado sentimento de raiva, ódio, rancor que pode ou não gerar sentimento de vingança. É um sentimento mental e emotivo que conflita o agente causador da ira e o irado.

Luxúria: É o apego e o desejo descontrolado por prazeres carnais, também conhecida como lascívia. É a entrega descontrolada ao sexo em busca de prazer.

Preguiça: É a aversão ao trabalho, a falta de capricho, o desleixo, a lentidão e a recusa em se esforçar.

Soberba: É o mesmo que arrogância, caracterizada pela falta de humildade, pelo sentimento de auto-suficiência afirmando seu ego em oposição a Deus.

Os pecados capitais, são praticados rotineiramente e muitas vezes sem que o pecador perceba, passando despercebido. Todos nós cometemos vários pecados que são originados a partir dos pecados capitais, mas somos fracos e movidos constantemente por apenas um deles.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Oracao dos Estressados

(atribuido á )

Luís Fernando Veríssimo

Senhor, dê-me serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar, coragem para mudar as coisas que não posso aceitar, e sabedoria para esconder os corpos daquelas pessoas que encheram tanto o meu saco que eu tive que matar.

Também, me ajude a ser cuidadoso com os calos em que piso hoje, pois eles podem estar diretamente ligados aos sacos que terei que puxar amanhã.

Ajude-me, sempre, a dar 100% de mim no meu Trabalho...
12% na segunda-feira, 23%, na terça-feira, 40% na quarta-feira, 20% na quinta-feira, 5% na sexta-feira.

E... Ajude-me sempre a lembrar, quando estiver tendo um dia realmente ruim e todos parecerem estar me enchendo o saco, que são necessários 42 músculos para socar alguém e apenas 4 para estender meu dedo médio e mandá-lo para aquele lugar...

Que assim seja!!!

Viva todos os dias de sua vida como se fosse o último.

Um dia, você acerta!



quinta-feira, 2 de julho de 2009

Maradona e os herois

(estátua de Diego A. Maradona)

Como no dia da partida inaugural, frente á Belgica, ele teve um desempenho opaco , muitos se perguntavam de onde, desde quando e por que surgiu o mito
Maradona.
Depois da partida da Argentina contra a Hungria, que o pequeno astro iluminou do princípio ao fim com o fogo de artifício de sua sabedoria , ninguém mais tem dúvidas : Maradona é o Pelé dos anos 80.
Um grande jogador? Mais que isso : umas dessas divindades vivas que os homens criam para se adorarem nelas.
Por um período que será fatalmente breve - este é o mais absoluto e o mais fugaz dos reinados - cabe agora ao argentino ser, para milhões e milhões de pessoas em todo o mundo, o que foram , em seus também rápidos turnoss imperiais, Pelé, Cruyff, Di Stefano, Puskas, e alguns outros: a personificação do futebol. O herói em quem este esporte se faz símbolo e emblema. Os bilhões de pesetas que, segundo se diz, o Barcelona pagou para incorporá-lo em suas filas são uma prova irrefutável de que Maradona já ascendeu a esse trono. E a julgar por sua atuação frente aos húngaros e a repercussão desta junto ao público , este Mundial demostrará que o Barsa fez um investimento rentável. Dez milhões de dólares é muito dinheiro por um simples mortal que dá chutes em uma bola, mas não é nada se o que na verdade
se compra é um mito.
Maradona é um mito porque joga maravilhosamente bem, mas também porque seu nome e seu rosto se gravam instantaneamente na memória e porque ,por
uma dessas indecifráveis razões que nada tem a ver com a razão , ele nos parece inteligente á primeira vista e cai em nossa simpatia. Essa impressão terá algo a ver com sua estatura? Na partida contra a Hungria vendo-o atuar, entre aqueles altos e fornidos zagueiros magiares, que revelam patética ineficácia para
controlá -lo , ter-se-ia a alentadora impressão de que existe uma justiça imanente, de que também no futebol é certo que mais vale a astúcia do que a força, de que o que conta, na hora de chutar, não são absolutamente as pernas, mas a fantasia a as idéias.
No entanto, apesar de sua pequena estatura , Maradona não dá a sensação de ser frágil, mas a de alguém forte e sólido, talvez poe aquelas, pernas robustas, de músculos salientes, que resistem aos encontrões com os defensores adversários,não importa quão altos ou fortes sejam. Aquela cara de garoto sonhador , ingênuo, cheio de boas intenções lhe é incrivelmente útil para emgambelar os desmoralizados bípedes encarregados de cuidá-lo porque a verdade é que, na hora de entrar duro, também sabe fazê-lo
E como um ímpeto que se diria incompatível com seu físico.
Não é fácil definir o jogo de Maradona. Ele é de tal complexidade que, em seu caso, cada objetivo necessita ser matizado. Não é brilhante e histriônico, á maneira do soberbo Pelé. Mas sua eficácia é tão completa quando lança , de ângulo inverossímeis , aqueles disparos potentíssimos a gol, ou quando , através de um passe despojado e preciso como um teorema , põe em movimento uma irresistível operação ofensiva, que seria injusto não chamá-lo espetacular, um jogador que transforma uma partida numa exibição de gênio individual ( ou num "recital", como disse um crítico , excelente pontaria, sobre sua atuação frente aos hungaros.)
O estilo de Maradona rompe com essa divisão, que acreditávamos válida, entre um futebol científico , típico da Europa, e um futebol aristocrático de estirpe
latino-americano. O jogador argentino pratica os dois ao mesmo tempo e nenhum deles em especial. È uma curiosa síntese em que a inteligência e a intuição , o cálculo e a inventiva , se apóiam continuamante. Assim como em sua literatura, a Argentina produziu um estilo de futebol que é a manifestação mais européia do latino-americano.
Se nas próximas partidas Maradona jogar o que jogou contra os húngaros, organizando com a mesma eficácia as ações ofensivas de seu time, disputando a bola com idêntica cobiça, chutando e cabeceando a gol com a mesma fúria e precisão e dando um jeito, inclusive , de recuar e dar uma mão á sua própria defesa , não há dúvida de que, independente da colocação da Argentina no quadro final , ele será o herói deste campeonato (e dos próximos anos).
Os povos necessitam heróis contemporâneos, seres a quem endeusar. Não há país que escape a essa regra. Culta ou inculta, rica ou pobre, capitalista ou socialista , toda sociedade sente essa urgência irracional de entronizar ídolos de carne e osso frente aos quais queimar incensos. Políticos, militares, estrelas de cinema , desportistas cozinheiros,playboys, grandes santos ou ferozes bandidos foram elevados aos altares da popularidade e convertidos pelo culto coletivo naquilo
que os franceses ,com excelente imagem, chamam de monstros sagrados. Pois bem, os jogadores de futebol são as pessoas mais inofensivas a quem
se pode conferirr essa função idolátrica.
Eles são é claro, infinitamente mais inócuos que os políticos ou os guerreiros , em cujas maõs a idolatria das massas pode se converter em um instrumento temível . E o culto do jogador de futebol não tem os miasmas
frívolos que cercam sempre a deificação do artista de cinema ou da dondoca da sociedade. Ele dura o que dura o talento futebolistíco e termina com esse. È efêmero , pois as estrelas do futebol queimam rapidamente no fogo verde dos estádios e os cultores desta religião são implacáveis: nas arquibancadas , nada está mais próximo da ovação do que as vaias.
Ele é também o menos alienante dos cultos , porque admirar um jogador é admirar algo muito parecido á poesia pura ou a uma pintura abstrata. È admirar a forma pela forma, sem nenhum conteúdo racionalmente identificável.
As virtudes futebolísticas destreza , a agilidade, a velocidade,o virtuosismo , a potência - dificilmente podem ser associadas a posturas socialmente perniciosas , a condutas inumanas. Por isso, se é preciso que haja hérois , que viva Maradona!

(Jornal O Globo 21 .06. 82)

Vargas Lhosa

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

A Galinha

A Galinha de Ovos de Ouro


Certa manhã, um fazendeiro descobriu que sua galinha tinha posto um ovo de ouro, apanhou o ovo, correu para casa, mostrou-o à mulher, dizendo:
- Veja estamos ricos!
Levou o ovo ao mercado e vendeu-o por um bom preço.
Na manhã seguinte, a galinha tinha posto outro ovo de ouro, que o fazendeiro vendeu a melhor preço. E assim aconteceu durante muitos dias. Mas, quanto mais rico ficava
o fazendeiro , mais dinheiro queria. E pensou:

" Se esta galinha põe ovos de ouro, dentro dela deve haver um tesouro!"
Matou a galinha e, por dentro, a galinha era igual a qualquer outra.

Moral da estória:

"Quem tudo quer, tudo perde."

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

A pena de morte

A pena de morte , não obstante os esgares e contorcionismos ideológicos que a queiram legitimar, é um crime contra a justiça - e contra o esforço civilizatório da raça humana. Humanizar-se ou hominizar-se é poder suprimir ou sublimar os impulsos primitivos que nos levam a combater o crime - com o crime.
A pena de morte tem como fundamento não o desejo de reparação, ou de justiça, mas a sede bruta de vingança. Na medida de sua adoção , ficamos fisiológica e moralmente comprometidos e emparedados pela lógica - zoológica - do velho axioma iniqüo: olho por olho ,dente por dente. Se o mal com o mal se paga numa estrita e sinistra simetria odonto-oftálmica , não há por que não condecorar , com as mais altas inígnias republicanas os beneméritos esquadrões da morte que exornam nossa paisagem cívica , jurídica e policial.
A pena de morte , incluída na letra do Código Penal, consagra - e institucionaliza o procedimento desses bandos criminosos, transformando-o em norma de justiça. Convenhamos que, em matéria de desordem , poucas medidas seriam capazes de chegar tão longe.

Na avaliação do problema da pena de morte,há que levar em conta o fato de ela, uma vez aplicada, cria uma situação absoluta - e irreparável. A morte é a impossibilidade de qualquer possibilidade, seja lá o que for. Na medida que condenemos alguém a execução capital, estaremos praticando um ato absoluto, desmesurado e ilimitado na sua irretratabilidade.
Ora, para que uma ação desse tipo fosse minimamente legitimavél , seria necessário que os julgamentos humanos pudessem reividicar para si um grau também absoluto de certeza e de verdade. Só posso castigar quem quer que seja, de maneira absoluta, na medida de uma absolutização paranóica de minhas razões, critérios e discernimentos.
A pena de morte implica, por parte daqueles que a defendem, uma usurpação do lugar da divindade. Só Deus é senhor absoluto e juiz supremo da vida e da morte.

Isso posto, não me venham dizer que o apoio á pena capital seja compatível com uma visão religiosa - ou cristã do mundo e das coisas. O Evangelho se fundamente no amor - não na vingança, e seu espírito repele até mesmo a justiça sem misericórdia. Cristo ao morrer pela redenção do homem, inundo-o infinitamente com a possibilidade de graça transformadora e regeneradora. Se Lázaro ressucitou dos mortos, qualquer ser humano pode emergir das trevas da iniqüidade, do pecado e do crime, pela graça de Deus.
A adoção da pena de morte é um ato de desespero social, que atenta contra a esperança e contra o mistério da Redenção, golpeando em seu cerne o mandamento supremo do amor ao Próximo.

Além dos aspectos filosóficos e religiosos que a condenam, a pena de morte é perfeitamente indefensável a partir de argumentos sociais e políticos. Cada sociedade tem os criminosos que merece, isto é, a prática do bem e do mal, ou a maneira pela qual os seres humanos se relacionam, tem tudo a ver com a vida comunitária e com o grau de justiça ou de injustiça - que lhe define a estrutura.
A fome , a opressão espoliadora, o abandono da infância, o desemprego em massa, os graves e clamorosos desníveis entre as classes não constituem , obviamente, boa fonte de inspiração para um correto exercício da cidadania. O processo civilizatório, pelo qual cada um de nós dá o salto da natureza para a cultura, de modo a tornar-se sócio da sociedade humana, exige renúncias cruciais - e sacrifícios cruciantes.
Na infância, através das vicissitudes do complexo de Édipo, temos que abrir mão de nossas primeiras e decisivas paixões. Depois , o corpo social nos impõe a lenta e dolorosa aquisição de uma competência, que nos qualifique para um trabalho e para o pão de cada dia.
Tudo isso - contadas as favas , nos custa os olhos da cara, e da alma. È preciso, de maneira absoluta, que cada trabalhador, seja ele qual for, receba da comunidade um retorno salarial e existencial condigno, expressão do respeito coletivo pelo seu esforço.
Este é um dever social irrevogável, ao qual correspode um direito sagrado. A ruptura desta articulação articulação constitue uma violência inaudita, capaz de tornar-se a matriz de todas as violências - e de todos os crimes . Uma sociedade como a nossa, visceralmente comprometida com a injustiça e, portanto, geradora de revolta e delinqüencia, cometeria uma impostura devastadora e destruidora - se adotasse a pena de morte.
Ao invés de fabricarmos bodes expiatórios, temos todos que assumir, sem exceção de ninguém, a responsabolidade geral pela crise - e pelo crime.

Há por fim, a favor da pena de morte , o argumento psicológico da intimidação. O criminoso, diante do risco de perder a vida, pensa duas ou mais vezes na conseqüência
fatal do delito que o tenta, acabando por desistir de praticá-lo . Afirma-se aqui o príncipio - psicanaliticamente ilusório , de que o delinqüente
grave tem arraigado amor á própria vida.
Em verdade, acontece o oposto. A auto estima do ser humano se constrói a partir dos cuidados do amor - recebidos de fora , dos outros. Este amor, internalizado, vai constituir o fundamento da possibilidade que cada um terá de amar-se a si mesmo, por ter sido amado. Se sou capaz de amar a mim próprio, e á minha vida, sou também proporcionalmente capaz de amar ao Próximo , meu semelhante, meu irmão e meu espelho.

O criminoso grave , ao liquidar a sua vítima, condena-se, por mediação dela, á morte, com ódio e desprezo. Não o imitemos, através da pena de morte.

Hélio Pellegrino




"Jornal do Brasil"

03.07.1985

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

A Justica tarda mas nao falha

'Um caso Judicial'

No dia 11 de setembro de 1890 deu-se o assassínio de Anne M...,a dita senhora havia saído de casa ,com o intuíto de apanhar capim (ou feno )
para alimentar os seus animais e não havia retornado.
No dia seguinte ,seu marido encontrou o cadáver num bosque. Fora morta com um tiro nas costas.
As suspeitas logo recaíram sobre seu marido, mais tarde ,as suspeitas voltaram-se para Joseph Zavrel e Michel Vaseley, mas como provas não havia foi arquivado o processo . O caso já ia caindo no esquecimento , quando ocorreu um fato imprevisto no mês de fevereiro de 1891.
Joseph Kreill apresentou-se ao Procurador Geral , e fez a seguinte declaração:
Perto da meia-noite fui acordado por força estranha e irresistível, quando abri os olhos , vi diante de mim a senhora Anne M..., vestida de branco. O meu primeiro impulso foi fugir , mas o 'fantasma' me disse:
- Não tenha medo. Foi Kastuvav- apelido do cultivador de Joseph Zavrell ,foi ele que me matou com um tiro de espingarda, e Vaseley me arrastou para o estábulo da herdade de Kastuvka .
- 'Vá ao Cura e diga o que ocorreu'. Falando isso desapareceu. Declarou o vidente que se achava em seu estado normal, que era estranho á aldeia de Voijetchov , (onde ocorreu o crime), mas a aparição produziu-se por quatro vezes e a falecida, na última vez - ameaçou seriamente a Kreill se ele não procurasse as autoridades. O homem estava desorientado - os céticos iriam ridicularizá-lo, temia que ninguém acreditasse nele, e todas as noites o fenômeno se repetia. Morrendo de medo ,na última vez que viu a aparição, pediu uma prova.
- 'Prova, não posso dar nenhuma'. - disse o fantasma - mas colocou a mão no ombro de Kreill, deixando lá a marca da mão impressa, enquanto este, sentia-se desfalecer .
Não tinha mais condições de suportar aquilo - pensou , foi ao Cura , que o remeteu ao Procurador Geral. Este aconselhou que firmasse a denúncia , e constatou com grande espanto no ombro esquerdo de Kreill - o sinal escuro da mão com os dedos afastados.
Reabriu-se o processo . Os resultados foram surpreendentes. Zavrel acabou confessando o crime , no seu relato consta:
'Ao chegar no campo descobrira um vulto, persegui-o e como ele não parasse, atirou'. O amigo auxiliou-o no encobrimento do cadáver.
Zavrel e Vaseley foram julgados culpados, bem como os familiares - por falso testemunhos, ( 0s familiares haviam declarado que os dois não haviam saído de casa
no dia em que mataram a camponesa).
Na longa descrição do processo há os nomes dos magistrados que constituíram a Corte, bem como o nome do Procurador Geral e dos defensores.... assim como a sentença aos culpadoss.

sábado, 12 de julho de 2008

Menino

Menino, vem para dentro, olha o sereno! Vai lavar essa mão. Já escovou os dentes?
Tome a benção a seu pai. Já pra cama!
Onde é que aprendeu isso, menino? Coisa mais feia. Toma modos.
Hoje você fica sem sobremesa. Onde é que você estava? Agora chega, menino, tenha santa paciência.
De quem você gosta mais, do papai ou da mamãe? Isso, assim que eu gosto: menino educado, obediente. Está vendo? É só a gente falar.
Desce daí, menino!
Me prega cada susto... Pára com isso!Joga isso fora. Uma boa surra dava jeito nisso.
Que é que você andou arranjando? Quem te ensinou esses modos? Passa pra dentro. Isso
não é gente para ficar andando com você.
Avise seu pai que o jantar está na mesa. Você prometeu,tem de cmprir.
Que é que você vai ser quando crescer?
Não, chega: você já repetiu duas vezes.
Por que você está quieto aí? Alguma você está tramando...
Não anda descalço, já disse! Vai calçar o sapato . Já tomou o remédio?
Tem de comer tudo; você acaba virando um palito. Quantas vezes já te disse para não mexer aqui? Esse barulho menino! Seu pai está dormindo. Pará com essa correria dentro de casa, vai brincar lá fora . Você vai acabar caindo dai. Pede
licença a seu pai primeiro. Isso é maneira de responder a sua irmã? Se não fizer
fica de castigo. Segura o garfo direito. Põe a camisa pra dentro da calça. Fica
perguntando,tudo você quer saber! Isso é conversa de gente grande. Depois eu te
dou. Depois eu deixo. Depois eu te levo. Depois eu conto. Depois.
Agora deixa seu pai descansar - ele está cansado, trabalhou o dia todo. Você precisa
ser muito bonzinho com ele, meu filho. Ele gosta tanto de você. Tudo o que ele
faz é para o seu bem. Olha aí,vestiu essa roupa agorinha mesmo, já está toda suja.
Fez seus deveres? Você vai chegar atrasado.Chora não, filhinho , mamãe está aqui com você. Nosso Senhor não vai deixar doer mais.
Quando você for grande, você também vai poder. Já disse que não,e não e não! Ah, é assim? Pois você vai ver só quando o seu pai chegar. Não fale de boca cheia.
Junta a comida no meio do prato. Por causa disso é preciso gritar? Seja homem.
Você ainda é muito pequeno para saber essas coisas. Mamãe tem muito orgulho de
você. Cale essa boca! Você precisa cortar esse cabelo.
Sorvete não pode, você está resfriado. Não sei como você tem coragem de fazer assim
com sua mãe. Se você comer agora, depois não janta. Assim voce se machuca .
Deixa de fita. Um menino desse tamanho, que é que os outros hão de dizer?
Você queria que fizessem o mesmo com você? Continua assim que eu te dou umas palmadas. Pensa que a gente tem dinheiro para jogar fora? Toma juízo,menino.
Ganhou agora mesmo e já acabou de quebrar. Que é que você vai querer no dia de seus anos?
Agora não, que eu tenho o que fazer. Não fica triste não, depois mamãe te dá outro. Você teve saudades de mim ? Vou contar só mais uma, que está na hora de dormir.
Agora dorme, filhinho. Dá um beijo aqui - Papai do Céu te abençoe.
Esse menino, meu Deus.

Fernando Sabino

domingo, 14 de outubro de 2007

Estatuto do Homem

(Ato Institucional Permanente)

Artigo I
Fica decretado que agora vale a verdade. agora vale a vida,
e de mãos dadas, marcharemos todos pela vida verdadeira.

Artigo II
Fica decretado que todos os dias da semana, inclusive as terças-feiras
mais cinzentas, têm direito a converter-se em manhãs de domingo.

Artigo III
Fica decretado que, a partir deste instante, haverá girassóis em todas as
janelas, que os girassóis terão direito a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro, abertas para o verde
onde cresce a esperança.

Artigo IV
Fica decretado que o homem não precisará nunca mais duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar, como o ar confia no campo azul do céu.

Parágrafo único:
O homem, confiará no homem como um menino confia em outro menino.

Artigo V
Fica decretado que os homens estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar a couraça do silêncio nem
a armadura de palavras.
O homem se sentará à mesa com seu olhar limpo porque a verdade
passará a ser servida antes da sobremesa.

Artigo VI
Fica estabelecida, durante dez séculos, a prática

sonhada pelo profeta Isaías, e o lobo e o cordeiro pastarão juntos e

a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.

Artigo VII
Por decreto irrevogável fica estabelecido o reinado permanente da
justiça e da claridade, e a alegria será uma bandeira generosa

para sempre desfraldada na alma do povo.

Artigo VIII
Fica decretado que a maior dor sempre foi e será sempre

não poder dar-se amor a quem se ama e saber que é

a água que dá à planta o milagre da flor.

Artigo IX
Fica permitido que o pão de cada dia tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que sobretudo tenha sempre o quente sabor da ternura.

Artigo X
Fica permitido a qualquer pessoa, qualquer hora da vida, uso do traje branco.

Artigo XI
Fica decretado, por definição, que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo, muito mais belo que a estrela da manhã.

Artigo XII

Decreta-se que nada será obrigado nem proibido, tudo será permitido,
inclusive brincar com os rinocerontes e caminhar pelas tardes

com uma imensa begônia na lapela.
Parágrafo único: Só uma coisa fica proibida: amar sem amor.

Artigo XIII
Fica decretado que o dinheiro não poderá nunca mais comprar o sol
das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo, o dinheiro se transformará em

uma espada fraternal para defender o direito de cantar e

a festa do dia que chegou.

Artigo Final
Fica proibido o uso da palavra liberdade, a qual será suprimida dos
dicionários e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante a liberdade será algo vivo e

transparente como um fogo ou um rio, e a sua morada será

sempre o coração do homem.


(Thiago de Mello)

Santiago do Chile, abril de 1964