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sábado, 3 de janeiro de 2009

Educacao na Idade Media

A Educação está atrelada ao conjunto dos aspectos sociais, econômicos, políticos, de uma sociedade, portanto ao contexto histórico. Podemos dizer que a Idade Média,não é apenas a época entre dois momentos do desenvolvimento da civilização: o mundo antigo e o mundo contemporâneo, muito mais do que isso, foi a época da formação cristã e da gestação dos pré-requisitos do homem moderno, da formação da consciência individual, do empenho produtivo, da evolução de alguns saberes especializados como a matemática ou a lógica, sempre girando em torno do princípio religioso. A Idade Média foi marcada pela fé no cristianismo, no desenvolvimento da Escolástica, em especialistas de histórias medievais dos saberes e das técnicas, na literatura do costume. A educação na Idade Média se desenvolve em estreita simbiose com a Igreja, com as instituições eclesiásticas que enquanto acolhem os especialistas da palavra, os sapientes, os cultos, são as únicas instituições a educar, formar, conformar.
O status da criança no mundo antigo era praticamente nulo. A Pedagogia não tinha a dignidade de ciência autônoma, sendo considerada parte da Ética ou da Política. O currículo medieval compreendia no aspecto secular, as sete artes liberais - o trivium e o quadrivium e a filosofia; e no dogmático, as doutrinas da igreja e das escrituras.
Um outro ponto central no campo educativo da sociedade medieval é o imaginário, instituído por múltiplas vias – linguísticas, escritas, e oral – estruturado em torno do valor religioso resumido na forma cristã e tão solidamente organizado de modo a dar o perfil a toda cultura. Esse campo educativo está ligado a uma imagem do mundo como ordem desejada por Deus e estabelecida de uma vez por todas, invariável, definitiva; qualquer rebelião contra esta ordem dá lugar ao pecado, a um desvio culpado que deve ser expiado e a igreja é a depositária do poder de expiação, de perdoar e impor sanções, colocando o indivíduo fora da comunidade cristã, priva-o de todo direito e poder. A sociedade medieval é vista como iluminada pela Igreja e pelo Império, com relações de hierarquia.
Em relação aos grandes nomes da figura medieval destaca-se Santo Agostinho, em suas obras evidencia o cuidado educativo nas lições de vida moral que codificam comportamentos exemplares.
Na literatura, destaca-se a Comédia de Dante.
A Igreja foi o “palco fixo”, por trás do qual se moveu toda a história da Idade Média e dos motores do seu desenvolvimento. A educação foi um desses motores, que edificado nesta época permanece também como grande motor do mundo moderno. A estrutura ligada à presença de um professor que ensina muitos alunos de diversas procedências e que deve responder pela sua atividade à Igreja ou a outro poder; as suas práticas ligadas aos autores, à discussão, ao exercício, ao comentário, à argüição etc. as suas práticas disciplinares e avaliativas que vem daquela época e da organização dos estudos em escolas, nas catedrais e, sobretudo nas universidades. Vem de lá também alguns conteúdos culturais da escola moderna e até mesmo contemporânea: o papel do latim; o ensino gramatical e retórico da língua; a imagem da filosofia, como a lógica e a metafísica.
O período de instabilidade provocado pela decadência e queda do império, bem como a formação dos diferentes feudos gerou um processo de regressão cultural, haja vista que a educação passou a ser secundária. Na nobreza e no clero a falta de cultura e até mesmo analfabetismo torna-se relativamente comum, tal característica é estendida a todos os cantões do antigo império.
A igreja católica, que vinha se fortalecendo desde o final do Império Romano, adquiriu ainda mais influência a partir da conversão dos francos ao catolicismo. No contexto do feudalismo e do poder político fragmentado, a Igreja foi responsável por uma certa unidade cultural das diferentes sociedades medievais no Ocidente Europeu.
Por deterem tantos poderes, os membros da Igreja Católica são considerados pelos estudiosos como personagens importantes das sociedades feudais durante quase toda a Idade Média. Eles conseguiram impor os valores do cristianismo em várias esferas da vida pública e privada.
Entre os séculos XI e XIII foram fundadas as ordens dos Cistercienses ( 1098), dos Carmelitas (1154), dos Franciscanos (1209) e dos Dominicanos (1216), tais ordens foram fundadas, procurando dar respostas espirituais para os anseios populares e para a preocupação com o poder temporal, manifestada por muitos sacerdotes do clero secular.
Afastados do contato direto com as agitações do cotidiano, os monges dedicavam seu tempo à vida religiosa e à realização de atividades agrícolas, pastoris e artesanais, bem como aos trabalhos intelectuais. Coube aos monges, por exemplo, a cópia e a conservação de importantes manuscritos gregos e latinos. Preservando a cultura da Antiguidade Clássica, os mosteiros se transformaram em centros de ensino, mantendo a maioria das escolas e bibliotecas da época medieval. Tais monges ficaram conhecidos como monges copistas. Humberto Eco, em seu romance “O Nome da Rosa” narra com maestria a tarefa dos monges copistas. A trama se desenrola em um mosteiro da Itália medieval, em 1327. Manejado com maestria e escrito em linguagem da época, o texto de Umberto Eco compõe uma crônica da vida religiosa do século XIV, bem como um relato surpreendente de movimentos hereges daquele período. Os crimes que se irradiam a partir da biblioteca do mosteiro – a maior biblioteca do mundo cristão, cuja riqueza explica o título do romance: “O Nome da Rosa” – expressão usada para denotar o infinito poder das palavras. No cinema, F. Murray Abraham adapta o bestseller de Humberto Eco. Assim, o romance “O Nome da Rosa”, constitui, ainda, uma crítica do poder e do esvaziamento dos valores pela demagogia – e, para muitos, uma parábola sangrenta da história da humanidade.
Havia um monopólio da cultura intelectual por parte da igreja. A educação era feita de clérigos para clérigos, devido às necessidades do culto. Nas escolas catedralícias e sobretudo monásticas, praticamente as únicas existentes, ensinavam –se as chamadas sete artes liberais ou escolástica, por oposição às artes mecânicas, isto é, manuais, próprias de escravos.
No que concerne particularmente ao campo da instrução, verificam–se dois processos paralelos: o gradual desaparecimento da escola clássica e a formação da escola cristã, na sua dupla forma de escola episcopal (do clero secular) nas cidades, e de escola cenobítica (do clero regular) nos campos. Mas, não obstante as exceções, o nível cultural é muito baixo quer entre os bárbaros, quer entre os homens da Igreja, quer entre os representantes do império.
A nova educação cabe a família e a Igreja que abarca características bíblicas, nasce então o modelo de escola cristã. A Igreja passa a ser a controladora e mantenedora da educação, formam-se mosteiros e distintas ordens religiosas, onde os nobres passam a ser instruídos e doutrinados, juntamente com alguns eleitos que formarão o alto clero, culto e dominador. Devemos destacar a ignorância da maioria dos indivíduos do baixo clero, onde até mesmo casos de analfabetismo total era possível ser presenciado.
Reforma na Educação:
Para unificar e fortalecer o seu império, Carlos Magno decidiu executar uma reforma na educação. Apesar de ter somente o conhecimento da leitura e não o da escrita, incentivou às artes e às ciências, investiu na reforma da grafia das letras, fundou escolas e incentivou o ensino. O monge inglês Alcuíno elaborou um projeto de desenvolvimento escolar que buscou reviver o saber clássico estabelecendo os programas de estudo a partir das sete artes liberais. A partir do ano 787, foram emanados decretos que recomendavam, em todo o império, a restauração de antigas escolas e a fundação de novas. Institucionalmente, essas novas escolas podiam ser monacais, sob a responsabilidade dos mosteiros; catedrais, junto à sede dos bispados; e palatinas, junto às cortes.
Essa reforma ajudou a preparar o caminho para o Renascimento do Século XII. O ensino da dialética (ou lógica) foi fazendo renascer o interesse pela indagação especulativa, dessa semente surgiria mais tarde a filosofia cristã da escolástica; e nos séculos XII e XIII, muitas das escolas que haviam sido fundadas nesse período, especialmente as escolas catedrais, ganharam a forma de universidades medievais.



As Crianças

“Crianças pequenas são sujas e enfadonhas na infância e mal comportadas e mentirosas quando crescem. Essa era a opinião de um escritor italiano da Idade Média, quando esperavam que as crianças fossem tanto quanto possível parecidas com os adultos. A educação que recebiam as preparava para ocupar um lugar no mundo dos adultos. Com sete ou oito anos, deviam ser membros úteis da família e da comunidade. Os filhos dos nobres iam para outros castelos ou mansões para servirem com pajens, e os filhos dos camponeses trabalhavam no campo.” (...) MACDONALD, Fiona. O cotidiano europeu na Idade Media. São Paulo, Melhoramentos, 1995, p. 48)
A escolástica nasce do pensamento cristão europeu da Idade Média. Segundo Manacorda (2000, p.122), "Pode-se dizer, considerando as iniciativas educativas do clero secular e do clero regular, que mudaram os conteúdos, e que dos clássicos da tradição helenístico-romana passou-se para os clássicos da tradição bíblico-evangélica". Esta linha vai do começo do século IX até ao fim do século XVI ou seja, até ao fim da Idade Média. Este pensamento cristão deve o seu nome às artes ensinadas nas escolas medievais. Estas artes podiam ser divididas em trívio (gramática, retórica e dialética) ou quadrívio (aritmética, geometria, astronomia e música).
Após o término desse “curso preparatório”, o aluno estava habilitado a cursar uma das universidades.
As Universidades
Na Idade Média, a maioria das pessoas não sabia ler e escrever. Os servos, que trabalhavam desde pequenos no campo, não tinham tempo para aprender nem achavam alguma utilidade nisso. Também não havia escolas para eles. Mesmo muitos nobres eram analfabetos. Para eles, o que interessava era saber cavalgar, vestir uma bela armadura, empunhar armas. Não precisavam ler ou escrever para terem um feudo, conquistarem belas damas e se divertirem. Os letrados eram os membros do clero (da Igreja). Os monges e os padres cuidavam das escolas.
No século XIII, as cidades voltaram a ser importantes na Europa. O crescimento das cidades estimulou a vida intelectual. Por isso, esse foi também o século do triunfo de uma nova instituição: a Universidade. Surgiram Universidades como as de Bolonha (Itália), Oxford (Inglaterra) e Paris (França). Essas Universidades eram protegidas tanto pela igreja como pelos grandes senhores feudais. Uma Universidade completa tuinha faculdades nas seguintes áreas: teologia (filosofia), artes (ciências e letras), direito e medicina.

As ciências da natureza não eram muito desenvolvidas, e praticamente só repetiam o que os gregos e os árabes já tinham dito. Os estudantes universitários eram filhos de nobres e vinham da Europa inteira. As universidade formavam as pessoas da elite na sociedade medieval. A língua não era problema porque todos falavam latim.
Na verdade, universitas designava qualquer comunidade ou associação, com o termo passando a ser usado exclusivamente para uma corporação de professores e alunos apenas a partir de fins do século XIV.


A escolástica
Historicamente, a escolástica pode dividir-se em três períodos: Escolástica primitiva (sécs. IX ao XII); Escolástica média (sécs. XII e XIII) e Escolástica tardia (sécs. XIV e XV).
Escolástica primitiva - inicia-se com o renascimento carolíngio e com o ressurgimento da escola que então se verifica. Aí se desenvolve um método de ensino que posteriormente será elaborado nos seus mínimos detalhes, constituído pelas quaestiones (problemas sujeitos a exame) e disputationes (exposição de argumentos a favor ou contra). As grandes disputas centram-se então em torno de dois problemas fundamentais: o problema da relação entre a fé e a razão (entre entre dialécticos, partidários da razão, e anti-dialécticos, defensores da fé) e a polêmica dos universais.
Escolástica média - surgem diversos tipos de escolas (inclusive as primeiras universidades) e inicia-se um intenso trabalho de tradução (principalmente na Península Ibérica) que vai possibilitar o conhecimento dos clássicos gregos e latinos, concretamente, a filosofia natural e a metafísica de Aristóteles, juntamente com as obras dos seus comentaristas gregos e árabes. No século XIII, com a introdução, em Paris, da filosofia árabe, representada pelo contributo dado por Averróis enquanto comentador de Aristóteles, inicia-se uma tendência denominada averroísmo latino, que preconiza, entre outras, a defesa da tese da dupla verdade (fé e a razão são verdades independentes e igualmente legítimas). Com a reestruturação das ordens religiosas e a criação das ordens franciscana e dominicana, a escolástica alcançou o seu ponto culminante, representado fundamentalmente pela obra de S. Tomás de Aquino, membro da escola dominicana, que adaptou, seguindo de perto Averróis, a filosofia de Aristóteles ao pensamento cristão. Pelo contrário, a escola franciscana, de que S Boaventura é um representante maior, é inspirada no neoplatonismo e na filosofia de Santo Agostinho.
Escolástica tardia - o séc. XIV caracteriza-se pela separação definitiva entre a filosofia e a teologia. A teologia mantém-se em vigor na escola franciscana, representada por Duns Escoto e G. de Occam, e a filosofia instala-se no empírico, no particular e no sensível. A escolástica conhece antão um notável florescimento em Espanha e Portugal, dinamizado pelas ordens dominicana e dos Jesuítas, orientadas para a nova interpretação que se fez da teoria de S. Tomás em Itália. O dominicano F. de Vitoria fundou uma escola de Salamanca em que se formaram notáveis teólogos tomistas, os quais, juntamente com os jesuítas de Coimbra e F. Suárez, em polêmica com o escotismo e o nominalismo, defenderam uma síntese de escolástica tradicional com as novas tendências de pensamento da época.

A Filosofia
Os filósofos cristãos medievais procuravam utilizar a filosofia grega para dar mais lógica à doutrina cristã. Dentre os principais, destacamos Santo Agostinho: o Bispo de Hipona escreveu a Cidade de Deus e Confissões. Influenciado pela filosofia idealista de Platão, defendeu a idéia de uma Igreja voltada para os pobres; combateu com toda a sua inteligência o paganismo e concebeu a doutrina do poder espiritual acima do temporal.
Dentre os “Homens da Escola”, daí a denominação “escolástica”, destacou-se Santo Tomás de Aquino, com sua célebre obra, a Suma Teológica.
Influenciado pela filosofia de Aristóteles, Santo Tomás de Aquino procurou defender de forma lógica, a doutrina cristã, de acordo com os dogmas estabelecidos pela Igreja Católica. Em outras palavras, procurou conciliar razão e fé.
Pedro Abelardo (1097-1142), natural de Bretanha, estudante e, mais tarde, professor famoso em Paris, centro cultural do mundo católico, tornou-se religioso e foi peregrinando por muitos mosteiros e cátedras, após uma aventura amorosa com Heloísa, que lhe acarretou trágicas conseqüências. Acusado de heresia, foi condenado por dois concílios. Abelardo é uma das mais originais figuras do mundo medieval, mesmo faltando-lhe a profundidade e a capacidade sistemática de Santo Anselmo. Em conclusão, Abelardo é, ao mesmo tempo, filósofo e teólogo, grego e cristão, cético e sistemático, com um grande pendor para a crítica e a dialética.
Escreveu as obras seguintes: História das Calamidades, conto biográfico da sua aventura com Heloísa; Dialética ; Conhece-te a ti mesmo ; Sic et non . No ensaio ético Conhece-te a ti mesmo valoriza, na vida moral, o elemento subjetivo, intencional, - elemento descurado na Idade Média - em confronto com o elemento objetivo, legal. Reconhecendo embora que são necessários os dois elementos, a fim de que haja ação plenamente moral, Abelardo sustenta ser mais moral um ato executado com reta intenção, ainda que objetivamente mau, do que um ato executado conforme a lei, mas com intenção má. Também interessante é a sua posição crítica na pesquisa filosófica: a dúvida nos leva para a investigação, a investigação nos leva à ciência. Na obra Sic et non - coleção de sentenças contrastantes dos padres sobre assuntos da Escritura e da teologia - Abelardo se integra nas fileiras dos sentenciários , isto é, dos autores dos libri sententiarum entre os quais o mais famoso é Pedro Lombardo, (século XII), chamado precisamente magister sententiarum . Os livros das sentenças eram coleções sistemáticas - mais ou menos críticas - das doutrinas das Padres, ordenadas segundo o esquema: Deus, criação, queda, redenção, meios de salvação. Preparam as grandes sumas medievais, especialmente as tomistas, que são construções sistemáticas elaboradas criticamente.


A Literatura

Num período da Idade Média, a literatura destacou-se com a poesia épica, lírica e o romance. A poesia épica exaltava o ímpeto guerreiro do homem medieval. Muitos guerreiros medievais inspiraram as famosas canções de gesta (gênero literário em linguagem popular), que louvavam os feitos heróicos dos cavaleiros da época.
Entre os romances, merecem ser lembradas as obras que compõem o ciclo arturiano (Aventuras do lendário Rei Artur e dos cavaleiros da Távola Redonda). Escritos a partir da segunda metade do século XII, esses romances logo se popularizaram por toda a Europa, recebendo novas versões e criando modelos míticos de nobres cavaleiros, como Lancelote, Percival, Galaad e Tristão.
Em relação ao romance, devemos citar ainda Robin Hood, Tristão e Isolda e o Romance da Rosa. Já a poesia lírica, exaltava o amor e mulher de forma refinada e artificial.
Indiscutivelmente, a maior obra da literatura medieval foi a Divina Comédia, escrita pelo italiano Dante Alighieri. Dentre os italianos, devemos destacar ainda Francesco Petrarca, considerado o primeiro dos grandes humanistas, e Giovanni Boccaccio, que escreveu Decameron, conjunto de contos que traça um quadro dos costumes italianos do século XIV.
Um dos túmulos mais bonitos que se encontra no Pére Lachaise é o de Pierre Abélard e Héloïse, protagonistas de um trágico romance interrompido na Paris medieval do século XII. Pedro Abelardo era um filósofo que se apaixonou por Heloísa, de quem era tutor e que era 20 anos mais nova. Os dois tiveram um filho, Astrolábio, e casaram-se às escondidas. Quando o tio de Heloísa, um clérigo de Notre-Dame, soube, mandou castrar Abelardo que foi viver na abadia de St. Denis, onde continuou seus estudos. Heloise retirou-se para um convento. Mesmo distantes, os dois se corresponderam em longas e amorosas cartas, mas nunca mais se falaram pessoalmente.
"Fujo para longe de ti,
evitando-te como a um inimigo,
mas incessantemente
te procuro em meu pensamento.
Trago tua imagem em minha memória
e assim me traio e contradigo,
eu te odeio, eu te amo."
Carta de Abelardo a Heloísa.

"É certo que quanto maior é a
causa da dor, maior se faz
a necessidade de para ela
encontrar consolo, e este
ninguém pode me dar, além de ti.
Tu és a causa de minha pena,
e só tu podes me proporcionar conforto.
Só tu tens o poder de me entristecer,
de me fazer feliz ou trazer consolo."
Carta de Heloísa a Abelardo


Os goliardos
No século XII, grupos de estudantes jovens, pobres e irreverentes viajavam pelas cidades, reunindo-se em torno das escolas e universidades que surgiam. Eram conhecidos como goliardos. Produziam cantigas com versos críticos e satíricos. Exaltavam o amor, o sexo e os prazeres mundanos, por isso, eram condenados moralmente pela igreja. Grande parte das músicas e poesias dos goliardos foram criações anônimas, protegendo seus autores de possíveis perseguições.

“Os estudantes representam nas cidades um corpo estranho e frequentemente encarado com hostilidade. (...) São portanto, em geral, malvistos. Na verdade, a atitude das cidades com respeito aos universitários é (...) ambivalente. De um lado, as cidades celebram suas universidades e seus universitários porque encontram nisso prestígio e mesmo lucros, mas, de outro, não se aplaca a hostilidade que se experimenta a seu respeito. Os estudantes constituem um mundo de jovens, e os jovens da Idade Média – talvez isso não tenha mudado tanto – são agitadores.”
Jacques le Goff.Por amor as cidades.
São Paulo, Unesp, 1988. p.63, 66 e 67.


Aspirações dos jovens Goliardos

“Se o sábio / tem o costume / de construir sua morada / sobre a rocha /
Então sou um louco,/ pois sou como a corrente que avança, / e cujo curso / jamais se detém/

Sigo adiante/ como um barco sem piloto, / como um pássaro vagando / pelos ares; / nada me detém/
Nem chave nem grilhões; / procurando meus semelhantes, / junto-me aos miseráveis. (...)

Meu caminho é longo / como minha juventude; / lançar-me-ei aos vícios /
Esquecido das virtudes / desejando mais os prazeres / que a salvação; /
Minha alma está morta, / só me importa a carne.”

Anônimo. Carmina Burana. Em:Marco Antonio de Oliveira Pais. O despertar da Europa-
A baixa Idade Média. São Paulo, Atual, 1992. p. 66

Conclusão:

A educação apresentada na Idade Média passou por momentos de transição como o fim do Império Romano e o início da Idade Moderna. Os primeiros quatrocentos anos da Idade Média são marcados pela firmação territorial dos novos reinos, pela falta de ênfase no processo educativo da nobreza e até mesmo do clero e, pelo rompimento do modelo clássico, com a concentração massiva na escola cristã patrística.
Mais tarde nasce a educação escolástica de controle exclusivista da Igreja, sendo ela a única fomentadora da produção literária e do pensar. Nada mais conveniente para Igreja que o esquecimento dos clássicos. Somente no governo de Carlos Magno ocorre uma preocupação acentuada com a educação dos nobres e clérigos, surge então um incentivo à construção de mosteiros e abadias, bem como a primeira escola livre da administração religiosa, a escola Palatina que mais tarde serviria de modelo para várias partes da Europa. O modelo escolástico apresenta seu apogeu com Santo Tomás de Aquino que visualiza a possibilidade clara de aproximação e convívio entre a metafísica e a teologia, talvez seja esta sua maior contribuição para o pensamento ocidental.
São ainda heranças do modelo escolástico, os processos de separação em áreas do conhecimento, do sistema de repetição e memorização, a elitização da educação e a doutrinação do indivíduo. Fica clara a correlação entre os modelos educacionais convergentes nos países periféricos com as características acima descritas, mesmo que a educação esteja elencada nos direitos universais do cidadão, a educação padece de qualidade e investimento, continuando por este motivo no controle de poucos.

Bibliografia:

COSTA, Ricardo da. “A Educação Infantil na Idade Média”. In: LAUAND, Luiz Jean (coord.). VIDETUR 17. Porto: Universidade do Porto / USP, 2002, p. 13-20.
COTRIM, Gilberto. Saber Fazer História. 3ª edição revista – 2006. São Paulo. São Paulo: Editora Saraiva, 2005.
DE LIBERA, Alain. Pensar na Idade Média. São Paulo: Editora 34, 2001.
HAMESSE, Jacqueline. “O modelo escolástico da leitura”. In: CAVALLO, Guglielmo e CHARTIER, Roger (org.). História da Leitura no Mundo Ocidental 1. Rio de Janeiro: Editora Ática, 1998, p. 123-146.
LAUAND, Luiz Jean (org.). Cultura e Educação na Idade Média - Textos do século V ao XIII. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
LE GOFF, Jacques. Os intelectuais na Idade Média. São Paulo: Brasiliense, 1993
LE GOFF, Jacques. A civilização do Ocidente Medieval. V. I e II. Lisboa, Estampa, 1984
MANACORDA, Mario Alighiero. História da educação: da antiguidade aos nossos dias. 8ª ed. São Paulo: Cortez, 2000.
MONROE, Paul. História da Educação. São Paulo; Companhia Editora Nacional, 1977.
NUNES, Rui Afonso da Costa. História da Educação na Idade Média. São Paulo: EDUSP, 1979
CAMBI, Franco. História da Pedagogia, São Paulo: UNESP, 1999.

2 comentários:

Anônimo disse...

he he he meu nome tbm e Lidia haha

Anônimo disse...

Bom dia. Meu nome é Edimara sousa, sou acadêmica do curso de licenciatura em Pedagogia e procurando informações sobre o professor na idade média achei seu blog. muito interessante seu estudo. Parabéns.