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sábado, 6 de outubro de 2007

A Princípio

A PRINCÍPIO

MARTHA MEDEIROS

A princípio, bastaria ter saúde,
dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas
nossos desejos são ainda mais complexos.

Não basta que a gente esteja sem
febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos,
sarados, irresistíveis.

Dinheiro? Não basta termos para pagar
o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina
olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas.

E quanto ao amor? Ah, o amor...
não basta termos alguém com quem podemos conversar,
dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando.
Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo.
Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser
surpreendidos por declarações e presentes inesperados,
queremos jantar à luz de velas de segunda a domingo,
queremos sexo selvagem e diário,queremos ser felizes
assim e não de outro jeito.

É o que dá ver tanta televisão.
Simplesmente esquecemos de tentar ser
felizes de uma forma mais realista.

Ter um parceiro constante, pode ou
não, ser sinônimo de felicidade. Você pode ser feliz
sózinha(o), feliz com uns romances ocasionais, feliz com
um parceiro(a), feliz sem nenhum. Não existe amor
minúsculo, principalmente quando se trata de
amor-próprio.

Dinheiro é uma benção. Quem tem,
precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder
tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o
suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado.
E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai
tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de
graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um
pouco de criatividade.

Ser feliz de uma forma realista é
fazer o possível e aceitar o improvável.

Fazer exercícios sem almejar
passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar
sem almejar o eterno.

Olhe para o relógio: hora de acordar.
É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o
que nos mobiliza, instiga e conduz mas sem exigir-se
demais. A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio.

Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade.
Se a meta está alta demais, reduza-a.
Se você não está de acordo com as regras, demita-se.
Invente seu próprio jogo.
Faça o que for necessário para ser feliz.
Mas não se esqueça que a felicidade é
um sentimento simples, você pode encontrá-la e
deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade.

Ela transmite paz e não sentimentos
fortes, que nos atormenta e provoca inquietude no
nosso coração. Isso pode ser alegria, paixão,
entusiasmo, mas não felicidade...

"O tempo não pára! Só a saudade é que
faz as coisas pararem no tempo..."

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