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terça-feira, 23 de outubro de 2007

Cidade de Paraiba do Sul

Atual sede da Prefeitura de Paraiba do Sul



Jardim de São João Marcos


A cidade de Paraíba do Sul recebeu o nome inicialmente de Paraíba Nova.
Mais tarde se tornou Meio da Jornada, Guarda da Paraíba e finalmente Paraíba do Sul.
Segundo o historiador Mário Nogueira, o município chamou-se ainda "Caminho Novo" e "Garcia Rodrigues".
Paraíba vem do tupi "p'a'ra"(=rio) e "a'iba" (=ruim, impraticável, força de dificuldades naturais da corrente, imprestável).
Segundo Macedo Soares, Paraíba significa Mar Pequeno.
Jaboatão explica Paraíba como sendo "braço do mar" (Pa'ra'i'ba), aludindo a grandeza e forma de braço que o rio tem ao comunicar-se com as águas do mar.

O atual território do município, na época do devassamento, era povoado por várias tribos indígenas, sendo citadas as dos Coroados, Barrigudos e também os Puri, que habitavam as margens do Paraíba e Paraibuna.
As primeiras explorações foram realizadas por Garcia Rodrigues Paes Leme, um dos mais famosos bandeirantes, filho do legendário Caçador de Esmeraldas.
Vindo das Minas Gerais, a procura do caminho para o Rio de Janeiro, o bandeirante Garcia Paes parou por volta de 1683, as margeens do Rio Paraíba do Sul, no local onde está hoje a Praça Marquês de São João Marcos.



Este ,foi o local onde resolveu fixar sua residência provisoriamente, até que se provesse de abastecimento e novos recursos para atingir o fim de sua missão desbravadora.


Segundo tradição, em 1688 Garcia Paes construiu uma fazenda nas terras compreendidas entre os rios Paraibuna e Paraíba, onde também edificou uma capela dedicada ao Culto de Nossa Senhora da Conceição e aos Apóstolos São Pedro e São Paulo.
Essa pequena localidade recebeu em 1719, o status do Curato.
Arruinada essa capela, a primeira construída em Paraíba do Sul, Pero Dias Paes Leme, filho de Garcia Rodrigues Paes edificou uma outra no morro da Pitangueira (lugar onde existiu o cemitério velho, e hoje, onde está construída a Escola Estadual "Andrade Figueira").
Por previsão de 10 de novembro de 1745, foi designado para consagrar o novo templo e ser o capelão do curado, o padre Manuel Gonçalves Viana.
A sede de curato foi transferida para o novo templo, que por alvará de 02 de janeiro de 1756, foi elevada à categoria da Freguesia Perpétua.
A jurisdição paroquial compreendia três fazendas: Várzea, Paraíba e Paraibuna, da Freguesia de Nossa Senhora da Glória dos Reis conhecida por Simão Pereira.
O número de casas não chegava a noventa e o total de pessoas adultas a quinhentos. No lado da Igreja construiu Pero Dias Paes Leme um cemitério.
Por volta de 1758 era Pero Dias Paes Leme, o grande proprietário da Freguesia de Paraíba, pois D. José de Portugal por previsão Régia de 20 de junho de 1758, concedia-lhe permissão para medir suas terras. Significando com isso que poderia tomar posse delas:"Seis léguas em quadra, desde o Morro de Cavarú até Três Irmãos que está de posse como sucessor de seu pai."
Com a morte de Pero Dias Paes Leme, suas terras foram partilhadas entre seus herdeiros, formando três grandes fazendas: Paraibuna, que coube ao herdeiro Garcia Paes Leme; -uma na Várzea entre Werneck e Cavuru que coube ao herdeiro José Pedro Dias Paes Leme e Paraíba, ao herdeiro Fernando Dias Paes Leme.

Paraíba do Sul fez parte dos municípios do Estado do Rio de Janeiro que muito prosperaram com o plantio do café. O café se espalhou por todo o Vale do Paraíba e transformou a região profundamente. Primeiro pela perda de suas florestas e vegetação natural. O café era plantado em grandes extensões de terras e modificou a paisagem do Estado, trazendo muita riqueza para as proprietários.
Com a chegada dos escravos oriundos da África para trabalhar nas plantações, um outro elemento foi acrescentado às modificações de estrutura da sociedade local.
Muitas fortunas se fizeram com o plantio do café e os proprietários passaram a possuir títulos nobiliárquicos (os barões de café). Suas grande fazendas saíram da simplicidade original para uma decoração esmerada e não era incomum trazerem arquitetos franceses e pintores para a decoração de suas fazendas.

A exploração agrícola do município foi iniciada com o plantio de milho, primitivamente destinado à alimentação dos animais das tropas que por lá transitavam. Posteriormente, surgiram as plantações de cana, para extração do açúcar, e mais tarde, surge o café que, em suas terras encontrou condições das mais favoráveis.
Entre as grandes propriedades da época, destacaram-se por seu tamanho e riqueza, a Fazenda da Boa Vista, propriedade do Visconde de Paraíba; as de Miranda Jordão, em Bemposta, as do Visconde do Entre-Rios e as imensas propriedades da Baronesa de Santa Justa, dono das maiores lavouras cafeeiras daquelas paragens.
Em 15 de janeiro de 1833, tal era o progresso da localidade que o Governo, elevou-o à categoria de Vila, e consequentemente de Município, com a denominação de Paraíba do Sul, ficando constituído pelas freguesias de São Pedro e São Paulo, São José do Rio Preto e pelos Curatos de Cebolas e Matozinhos. Sua instalação, com grandes festas, verificou-se nesse mesmo ano, no dia 15 do mês de abril.
Por estar em ruínas em 1834 a capela que Pero Dias Paes mandara construir no Morro da Pitangueira, as imagens e o Santíssimo Sacramento foram transferidos para um Oratório, localizado na antiga casa de residência de Garcia Rodrigues Paes, neste Oratório ficaram sendo celebrados os atos religiosos até 1848,
Com desenvolvimento da Vila, os vereadores começaram a preocupar-se com terras para a ampliação da mesma e para o Patrimônio da Câmara.
O Marquês de São João Marcos fez doação de uma área de terras desmembradas da Fazenda Paraíba, em seu nome e dos demais dos herdeiros para Patrimônio da Câmara. A escritura de doação foi assinada em 28 de janeiro de 1842. Essa área foi de seiscentas braças de frente para o Rio Paraíba e quatrocentas de fundos.
A Vila continuou a crescer e em 1835 o engenheiro militar Major Júlio Frederico Koeler, foi incumbido, segundo ofício de 10 de julho do citado ano e remetido pelo Centro de Obras Públicas da Província, de estudar e orçar uma ponte sobre o Paraíba "porto da Vila deste nome, e, ainda estudar um meio para tornar mais fácil, cômoda e econômica a passagem do dito rio". Essa ponte não foi feita. O projeto foi interrompido.
Vale observar que Júlio Koeler foi o homem que planejou a construção de Petrópolis para o Imperador D.Pedro II.
Mais tarde, em 13 de dezembro de 1857, foi entregue ao trânsito público, construída pelo Barão de Mauá (mais tarde Visconde de Mauá), a Ponte sobre o Rio Paraíba do Sul. A construção foi iniciada em 1835, ficando definitivamente substituída a Barca que fazia a travessia do rio.
Em 1867 foi inaugurada a Estrada de Ferro e a situação da Vila melhorou consideravelmente, pois a maioria dos viajantes que se dirigia para a corte, fazia ponto na Vila.
Por decreto de 20 de dezembro de 1871, foi a Vila da Paraíba elevada à categoria de cidade.
A fonte da economia do município até o início do século XIX, era caracterizada pela agricultura, em grande escala.
Atualmente a pecuária é a principal fonte de economia, destacando-se a produção de leite, com rebanhos selecionados, principalmente a tiragem do leite tipo B, hoje em torno de 25.000 litros diários.
A agricultura ocupa destaque secundário, com a existência de pequenas lavouras de milho, feijão, arroz, cana-de-açúcar, tomate, café, abóbora, repolho, aipim.
O setor industrial destaca-se na produção de telhas e tijolos, materiais de primeira qualidade, utilizados nas construções locais e pelos grandes centros circunvizinhos.
A fábrica de rendas finas constitui, também, uma das fontes de economia do município.
Ainda como fonte de economia existe o beneficiamento e industrialização do leite em produtos de laticínios como: manteiga, queijo, requeijão, iogurte, doce de leite e creme de leite.
O comércio é desenvolvido, principalmente, na zona urbana, sendo o setor que absorve em maior escala a mão-de-obra local e atende com a sua diversificação às necessidades da comunidade.
Logo no início do século, em razão de suas águas medicinais, foi aberto o Hotel Salutaris.
O Hotel (que ainda existe) era importante ponto de referência em Paraíba do Sul, e por volta dos anos 40 o Hotel Fazenda São Romão começa a receber hóspedes.

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