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quinta-feira, 25 de outubro de 2007

A Origem e o Significado do Rosario

O costume de rezar breves fórmulas de oração consecutivas e numeradas mediante um artifício qualquer (contagem dos dedos, pedrinhas, ossinhos, grãos), constitui uma das expressões da religiosidade humana, independentemente do Credo que alguém professa.

Entre os cristãos, tal hábito já estava em uso entre os eremitas e monges do deserto nos séculos IV e V. Tal praxe teve origem, provavelmente, nos mosteiros, onde muitos cristãos professavam a vida religiosa, mas não estavam habilitados a seguir a oração comum, que compreendia a recitação dos salmos.



Em conseqüência, para esses irmãos ditos "conversos", os Superiores religiosos estipularam a recitação de certo número de "Pais-Nossos" em substituição do Ofício Divino celebrado solenemente no coro.

Para favorecer esses exercícios de piedade, foi-se aprimorando a confecção das correntes que serviam à contagem das preces: cada um desses cordéis de grãos se dividia geralmente em cinco décadas; cada décimo grão era mais grosso do que os outros, a fim de facilitar o cálculo (portanto, ainda não se usavam, como hoje, séries de dez grãos pequenos separados por um grão maior, pois só dizia o "Pai nosso").
Ao lado de tal praxe, ia-se desenvolvendo entre os fiéis outro importante exercício de piedade, ou seja, o costume de saudar a Virgem Santíssima; repetiam a saudação do anjo a Maria ("Ave, cheia de graça...", Lc. 1,28), acompanhada das palavras de Isabel ("bendita és tu entre as mulheres, e bendito é o fruto de tuas entranhas", Lc. 1,42). A invocação subseqüente "Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós..." ainda não estava em uso na Idade Média.
Em conseqüência, por volta do ano 1150 ou pouco antes, os fiéis conceberam a idéia de dirigir a Maria, 150, 100 ou 50 saudações consecutivas, à semelhança do que faziam repetindo a oração do Senhor. Cada uma das séries de saudações (às quais cá e lá se acrescentava o "Pai-Nosso") devia, segundo a intenção dos fiéis, constituir uma coroa de rosas ofertada à Virgem Santíssima; daí os nomes de "rosário" e "coroa" que se foram atribuindo a tal prática; a mesma era também chamada "Saltério da Virgem Santíssima", pois imitava as séries de 150, 100 ou 50 "Pais nossos" posteriormente, os "rosários" entraram na vida de piedade dos fiéis à guisa de Breviário dos leigos, com o objetivo de entreter nos fiéis a estima para com os salmos e a oração oficial da Igreja; o rosário tem assim o seu cunho de inspiração bíblica.
Quanto ao nome "rosário" em particular, foi muito fomentado por um relato popular do século XIII: narrava-se que um monge se comprazia em recitar freqüentemente 50 Ave-Marias, as quais emanavam de seus lábios como rosas que se iam depositar na cabeça da Virgem Santíssima.
Um passo ulterior no desenvolvimento do Rosário se deve ao monge cartuxo Henrique de Egher ou de Calcar ( 1408) este uso foi encontrado espontânea aceitação por parte dos fiéis e veio a tornar-se comum.
Outra etapa importante foi a associação da meditação à recitação vocal das "Ave-Marias".
No século XIV, tal praxe estava em vigor nos mosteiros das monjas dominicanas de Töss e Jatharinental. Contudo, a difusão desse costume se deve a um monge cartuxo, Domingos Rteno, que viveu no início do século XV; Domingos propunha a recitação de 50 "Ave Marias", cada qual com seu ponto de meditação próprio. Outros sistemas de meditação entraram aos poucos em vigor, o dominicano Alano da Rocha ( 1475) sugeria a recitação de 150 mistérios, que percorriam os principais aspectos da obra da Redenção, desde o anúncio do anjo a Maria até a morte da Virgem Santíssima e o juízo final.
Mais uma faceta da evolução do rosário, já insinuada pelos precedentes, foi a inclusão dos mistério dolorosos da Paixão do Senhor entre os temas de meditação. Isto se explica pelo caráter sombrio e tristonho que, por vezes, tomou a piedade popular no fim da Idade Média: o de pestes, os temores de fim do mundo, a guerra dos cem anos, muito chamaram a atenção dos fiéis para as tristezas da vida, em particular para as dores de Cristo e de Maria; muito então, além das sete alegrias de Maria, focalizavam devotamente as suas sete dores. A consideração destes tópicos da História mostra claramente que, durante séculos, a maneira de celebrar o "Saltério de Maria" variou muito, ficando ao arbítrio da devoção dos fiéis a forma precisa de honrar a Virgem por essa via.
Foi, finalmente, um papa dominicano, são Pio V (1566 - 1572) quem deu ao rosário a sua forma atual, determinando tanto o número de "Pais nossos" e "Ave Marias" como o teor dos mistérios que o vem integrar. O santo Pontífice atribuiu à eficácia dessa prece a vitória naval de Lepanto, que, aos 7 de outubro de 1571, salvou de grande perigo a cristandade ocidental; em conseqüência, introduziu no calendário litúrgico da Ordem de são Domingos a festa do Rosário sob o nome de "Festa de Nossa Senhora do Rosário". A solenidade foi, em 1716, estendida à Igreja universal, tomando mais tarde o nome de "Festa de Nossa Senhora do Rosário". A devoção foi, daí por diante, mais e mais favorecida pelos Pontífices Romanos, merecendo especial relevo o papa Leão XIII, que determinou que fosse o mês inteiro de outubro dedicado, em todas as paróquias, à recitação do rosário. Na base destas notícias, vê-se o quanto é falso afirmar, como de vez em quando se lê, que o Rosário é inovação introduzida no cristianismo em 1090.
O costume antigo de repetir orações à guisa de coroa espiritual não se concretizou apenas no Rosário de Nossa Senhora. Além deste, estão em uso entre os fiéis, outras coroas espirituais representadas por um colar de contas correspondente.
Assim, a Coroa dos Crucíferos, a Coroa das sete dores de Maria, a Coroa das sete alegrias de Maria, a Coroa angélica, a Coroa de santa Brígida...

Por fim, é importante notar que o rosário não é uma oração meramente vocal. A repetição das mesmas preces tem o objetivo de criar um clima contemplativo, que permita a meditação e o aprofundamento dos grandes mistérios da nossa fé, associados a cada dezena do rosário.



Consagração á Nossa Senhora




(De São Luiz Gonzaga)

Santíssima Virgem Maria, minha Mãe e minha soberana, eu me lanço no seio da vossa misericórdia, e desde este momento ponho para sempre a minha alma e o meu corpo debaixo da vossa especial proteção.
Eu vos confio e entrego em vossas mãos, todas as minhas esperanças e consolações, minhas penas e misérias em todo o decurso da minha vida e na hora da minha morte, afim de que , pela vossa intercessão, todas as minhas obras sejam feitas segundo o vosso agrado e o do vosso divino Filho; e uni-me ao seu Sacratíssimo Coração.

Amém.

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