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segunda-feira, 6 de abril de 2009

Soneto do passaro

Batem as asas? Rosa aberta , a saia
esculpe, no seu giro, o corpo leve
Entre músculos suaves, uma alfaia, (jóia)
selada, tremeluz á vista breve.

O que, mal percebido, se descreve
em termos de pelúcia ou de cambraia,
o que é fogo sutil, soprado em neve,
curva de coxa atlântica na praia,

vira mulher ou pássaro? No rosto,
essa mesma expressão aérea ou grave,
esse indeciso traço de sol-posto,

de fuga, que há no bico de uma ave.
O mais é jeito humano ou desumano,
conforme a inclinação de meu engano.



(desconheço a autoria)

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