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sexta-feira, 12 de junho de 2009

Primeira Tese



Interações no ambiente escolar: um estudo sobre uma parceria entre professores de educação especial e professores da rede regular.


Por Gabrielle Pereira Fontainha de Carvalho.


1. INTRODUÇÃO


Já é de notabilidade acadêmica o fato de que o ambiente escolar ainda é um local de segregação, de exclusão, apesar de a Constituição Federal eleger como um dos princípios para o ensino a “igualdade de condições de acesso e permanência na escola” (C. F., artigo 206, inciso I)
Trabalhando em turma de Educação Especial – Deficiência Auditiva e Deficiências Múltiplas–, ou seja, tendo a prática educacional como aliada, pude observar e desenvolver uma pequena investigação que objetivou esclarecer algumas dúvidas sobre minhas ações educacionais e que, além disso, induziu-me a alguns questionamentos que impulsionarão esse projeto.
Ao longo da minha docência, percebi que os alunos da Educação Especial, embora participassem de todas as atividades realizadas na escola, não interagiam, não se comunicavam com os alunos do ensino regular, mas somente com alunos especiais: havia interação entre surdos e deficientes mentais/deficientes físicos, porém não conseguíamos efetivar uma aproximação, uma ação conjunta entre as duas modalidades de ensino: regular e especial. Muito menos conseguíamos, incluir, satisfatoriamente, “nossos” alunos no ensino regular, visto que notávamos muita relutância dos professores em aceitar os alunos, no ensino regular.
É notório que estamos sendo regidos pela lei da inclusão, ratificada em 1996 pela LDBEN, contudo penso ser imprescindível realizar parcerias, interações com os professores do ensino regular, para efetivar, de fato, a inclusão no ambiente escolar.
Não basta olharmos a Educação Especial como uma modalidade que clama por ser extinta, tampouco realizar a inclusão sem nos preocuparmos em preparar os autores desse processo, no ambiente escolar.
Quando se pensa em propor outras alternativas: trocas docentes, formação e capacitação de professores, utilização de novas tecnologias, como forma de educar, como forma de acessibilizar e democratizar o ensino, a inclusão, busca-se atingir uma outra forma de pensar o uso do espaço constituído/vivido. Busca-se, de fato, (re)pensar a inclusão através de interações entre professores da educação especial e professores do ensino regular, no espaço escolar.
Penso que umas das formas de se efetuar essa interação entre docentes seria utilizar, e por que não(?) as novas tecnologias como mediadoras desse processo interativo/inclusivo/(in)formativo. Quanto material disponibilizado para surdos, não se encontra, não raros os casos, disponibilizado apenas através do mundo tecnológico, do mundo virtual? Quantos dvds, cds e fitas em VHS não são produzidos sobre surdez, sobre Libras e que ficam guardados nas escolas ou sob a “proteção” de professores e/ou intérpretes que dominam a Libras. Por que não realizar simpósios, mesas redondas
Se não há divulgação/partilha desse material, não há como efetivar a inclusão. A inclusão das novas tecnologias, a inclusão da informação.
Ressalto, ainda, que as novas tecnologias, sob a égide inclusiva, não deve ser vista como um conjunto de medidas que favoreceriam apenas ás pessoas com deficiência, contribuiria, realmente, para efetivar o processo de interação, de comunicação entre diferentes: “Temos o direito a sermos iguais quando a diferença nos inferioriza; temos o direito a sermos diferentes, quando a igualdade nos descaracteriza”. (Boaventura Santos)
Vigotsky nos ensina que não há forma melhor de aprendizagem do que a realizada com pares distintos, do que a realizada na diversidade. Atuando nessa perspectiva, diminuiríamos a exclusão, a segregação, em nossas escolas e validaríamos, através da transmutação de valores, de atitudes, os preceitos de nossa lei magna: “A CF elegeu como fundamentos da República a cidadania e a dignidade de pessoa humana (art. 1º, inc. II e III) e como um dos seus objetivos fundamentais a promoção do bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor idade e quaisquer outras formas de discriminação”. (art. 3º, inc. IV).
Atuando em parceria: ensino regular e educação especial conseguiríamos minimizar a exclusão, a falta de informação do corpo docente, na unidade escolar. Aponta-se, dessa maneira, para a emergência da construção de espaços sociais menos excludentes e de alternativas para o convívio na diversidade, ou seja, não se trata apenas de incluir um aluno especial em uma turma de ensino regular, mas sim de se preocupar em analisar a receptividade, em saber como os colegas de classe, como os professores vêem, concebem e sentem a inclusão: um faz-de-conta ou um plano de (transmut)ação?
Esse anteprojeto apresenta uma breve discussão sobre a inclusão na rede regular de ensino, realizando uma análise dos referenciais existentes e problematizando as concepções referentes a política educacional, à utilização de novas tecnologias, o ensino regular, a educação especial, a interação entre professores e a inclusão. Também apresenta uma investigação de diferentes contextos escolares com a finalidade de sintetizar os principais aspectos percebidos como tensionadores do processo de inclusão educacional e de identificar um conjunto de práticas desenvolvidas pelas escolas, na perspectiva de efetivar interações no ambiente escolar.
Dessa forma, visando o esclarecimento de minha ação educacional, elaboro esse anteprojeto na intenção de desenvolver minuciosamente a investigação que iniciou-se mo período de minha docência, com os ideais inclusivos, das novas tecnologias, e com a proposta de buscar subsídios na pesquisa de novas tecnologias, para uma educação inclusiva, para entender e estudar uma nova perspectiva de ensino especializado para alunos com deficiência, em nossa rede regular de ensino.

2. QUESTÃO

Este projeto propõe-se, num contexto das novas tecnologias, a estudar as possíveis contribuições e utilidades da interação entre alunos especiais e alunos do ensino regular, no ambiente escolar. Propõe-se, ainda, em analisar a contribuição da educação especial versus a contribuição da educação inclusiva, tendo em vista que esse contraponto não é enfocado, em nossa sociedade – ou se analisa separadamente a educação especial (tendo-a como fator de exclusão, de segregação, de confinamento), ou se analisa a educação inclusiva como redenção, como resolução dos problemas educacionais, sem a preocupação de analisar se, de fato, a interação, a comunicação entre alunos especiais e alunos do ensino regular/professores do ensino regular se efetivam, no ambiente escolar.
A questão norteadora deste projeto formula-se, então, da seguinte forma:
“Como trabalhar com alunos especiais, que ainda não estão “preparados” para o ensino regular, e como preparar o corpo docente e discente do ensino regular, que é possível se comunicar, que é possível realizar atividades conjuntas com alunos especiais, com alunos surdos, no ambiente escolar, utilizando-se das novas tecnologias para efetivar a inclusão?”
Considerando, então, que a investigação por mim proposta tem como fundamento a linguagem cultural e a construção do conhecimento diante das práticas de novas tecnologias, visando efetivar a inclusão, este projeto seguirá a linha de Pesquisa “Linguagem, Conhecimento e Formação de Professores”, e irá investigar as relações entre linguagem, cultura, novas tecnologias e inclusão.


3. OBJETIVOS

É com o propósito de compreender e diagnosticar os problemas com a inclusão de alunos especiais, que são revelados pelas estatísticas, pelos censos escolares, que me proponho a desenvolver esta pesquisa, e pontuo os seguintes objetivos:
- Buscar elementos de análise na Educação Especial na Instituição de Ensino.
- Entender como o professor, aluno, experiências reais e as novas tecnologias se relacionam, para efetuar a comunicação, a interação no ambiente escolar.
- Dar visibilidade às histórias e práticas de grupos que têm sido sistematicamente marginalizados – precipuamente os surdos, em decorrência da LIBRAS-, por utilizarem uma linguagem própria, diferenciada e pouco divulgada.
- Investigar uma nova perspectiva para a efetivação da inclusão, no ambiente
escolar.

4. METODOLOGIA

“As oportunidades educacionais contribuem, de forma decisiva, para a melhoria da qualidade de vida das pessoas e, dessa forma, o avanço no sistema educacional influencia diretamente as chances de integração do indivíduo na sociedade e sua capacidade de mobilidade ou ascenção social.” (Ricardo Henriques)
Minha inquietação em relação ao modo como os alunos portadores de necessidades educativas especiais são excluídos nas classes regulares de ensino, quer seja pela não utilização de novas tecnologias, pelo despreparo do corpo docente, quer seja pela ausência de conscientização no corpo discente, tem sido um fio condutor a me lançar nos caminhos dessa pesquisa e meu comprometimento como pesquisadora norteia-se nos pressupostos da Investigação Qualitativa. Busco na pesquisa qualitativa suas raízes fenomenológicas na área da educação. A fenomenologia coloca em seu núcleo o mundo do sujeito, suas experiências diárias e os significados atribuídos a essas experiências. Na visão dos fenomenólogos é o sentido dado a essas experiências que constitui a realidade, ou seja, a realidade é socialmente construída.
Pretendo compreender as ações educativas desenvolvidas nas classes regulares, com alunos incluídos através da práxis de professores, entendendo como os mesmos, enquanto seres históricos inseridos no contexto escolar, consideram as perspectivas de inclusão. Meu público-alvo será alunos especiais incluídos no ensino regular. Para tal, pretendo investigar a prática escolar de duas escolas públicas da rede estadual que oferecem aos portadores de necessidades educativas especiais a possibilidade de terem acesso à escola através da inclusão: Colégio Estadual Condessa do Rio Novo e Colégio Estadual Monsenhor Francisco, considerando a prática docente de três turmas diferentes.
A metodologia de pesquisa utilizada será de base etnográfica, que se caracteriza pela concepção de que a compreensão do fato social envolve a compreensão dos significados que os participantes dele constroem ao constituí-lo. Procurarei enfatizar o processo, retratando a visão pessoal dos participantes buscando a formulação de hipóteses, conceitos, abstrações, teorias e buscando descobrir novos conceitos, novas relações e novas formas de entendimento da realidade.
Assim, proponho-me a desenvolver esta pesquisa e enumero as seguintes ações para a sua realização:
4.1- Estudo continuado dos temas: Educação Inclusiva, Construção do conhecimento dos portadores de necessidades educativas especiais, Igualdade e Diversidade, Educação Especial e História das políticas públicas, Políticas de exclusão social/escolar, Formação de professores para uma educação inclusiva, Uso de Novas Tecnologias ( Duração prevista: 8 trimestres)
4.2 – Estudo do currículo proposto para a turma alvo da pesquisa ( Duração prevista: 1º trimestre)
4.3 - Observação participativa e acompanhamento dos conteúdos trabalhados em sala de aula (Duração prevista: 1º ao 6º trimestre)
4.4 - Estabelecimento de amostra qualitativa para trabalho de campo (Duração prevista: 1º e 2º trimestres)
4.5 - Registro de dados por meio de entrevistas, gravações, filmagens e trabalhos gráficos.( Duração prevista: 1º ao 4º trimestre)
4.6 – Transcrição e organização dos registros. Criação de um blog. (Duração prevista: 2º ao 5º trimestre)
4.7 – Elaboração de elementos para análise dos dados, visando a pesquisa de uma nova perspectiva de ensino para o portador de necessidades educativas especiais, sob a égide da inclusão e da utilização de novas tecnologias, no processo educativo. (Duração prevista: 3º ao 5º trimestre)
4.8 - Análise e interpretação dos dados (Duração prevista: 5º ao 7º trimestre)
4.9 – Elaboração de relatórios parciais e final (Duração prevista: 3º, 6º e 8º trimestre)
4.10- Elaboração e apresentação de artigos de divulgação da pesquisa em eventos acadêmico-científicos (Duração prevista: 3º, 6º e 8º trimestre)

5. Referencial teórico:

“A educação não se limita somente ao fato de exercer uma influência nos processos de desenvolvimento, já que reestrutura de modo fundamental todas as funções do comportamento" (Vygotsky)

“Desta maneira, o educador já não é o que apenas educa, mas o que, enquanto educa, é educado, em diálogo com o educando que , ao ser educado, também educa.
(Paulo Freire)

Escolhi as três epígrafes, a fim de antecipar um pouco o que será questionado por mim nessa pesquisa e de revelar, de forma clara e contundente, o arcabouço teórico desse estudo. Não desprezarei ou negligenciarei, obviamente, outras vozes subjacentes no diálogo proposto nesta pesquisa.
Nessa minha leitura da inclusão escolar, através da utilização de novas tecnologias na arte de educar, como passaporte para o pleno exercício da cidadania, e, conseqüentemente, da inclusão social, convido alguns interlocutores para reflexão. Na tessitura dessa pesquisa, pretendo puxar fios acerca da construção do conhecimento e da interação professor-aluno com VYGOTSKY, que advoga que a educação é um processo essencialmente cultural e social no qual alunos e professores participam interagindo na construção de um conhecimento conjunto. Pensando na perspectiva sócio-histórica, seus estudos enfocam a linguagem como constituidora do sujeito e enfocam a relação pensamento-linguagem que também são considerados nessas práticas.
Tecendo fios a esse respeito, é PAULO FREIRE quem eu convido para o diálogo, pois ele foi um dos pioneiros a realçar o poder revolucionário e libertador da educação. Seus textos revelam como o processo educacional dialógico pode libertar o homem de sua “domesticação” e muni-lo de instrumentos para o pleno exercício de sua cidadania. Além disso, ele apregoa a escola como lugar de todos, sem preconceitos, pois ninguém é dono do saber.
O pensamento de FOUCAULT nos mostra que o poder é um feixe aberto de relações, atravessando todo o corpo social e funcionando em cadeia. Ao discorrer sobre a modalidade de poder disciplinar, o autor afirma que esta encontra-se distribuída nas mais diversas instâncias. Sustenta ainda que é de interesse dessa modalidade de poder eliminar tudo que não se adequa à regra, afasta-se dela, isto é, os desvios. Para reduzir esses desvios, a modalidade de poder disciplinar “compara, diferencia, hierarquiza, homogeneiza, exclui. Em uma palavra, ela normaliza.” (FOUCAULT, 1989, p.163) .
Não podemos efetivar a “inclusão” de alunos especiais, na rede regular de ensino, se não nos preocuparmos com a inte(g)ração desses alunos, através de um repensar na forma de educar, através da utilização de novas formas de manifestação,
caso contrário estaremos, apenas, cumprindo uma lei, uma determinação, sem olharmos para os sujeitos, para os construtores dessa ação.
Ainda nesse contexto, os fios das práticas inclusivas e das novas tecnologias clamam por ser analisados, por serem estudados, por serem questionados, por serem praticados, pois só assim poderemos (re)pensar a inclusão através de novas tecnologias, na arte de educar. É imprescindível, portanto, investir na criação de uma política de formação continuada para profissionais da educação. A partir dessa, seria possível a abertura de espaços de reflexão, dispostos a acompanhar, sustentar e interagir com o corpo docente a sua prática, a sua formação, a sua ação.
A inclusão é percebida como um processo de ampliação da circulação social que produza uma aproximação dos seus diversos protagonistas, convocando-os à construção cotidiana de uma sociedade que ofereça oportunidades variadas a todos os seus cidadãos e possibilidades criativas a todas as suas diferenças.

6. Bibliografia:

ALVES, Rubem. A escola com que sempre sonhei sem pensar que pudesse
existir, 3ª edição. Campinas: Papirus, 2001.
CARVALHO, Rosita Edler. Educação inclusiva: com os pingos nos “is”. Porto
Alegre: Mediação, 2004.
-------- Planejamento e administração escolar na educação inclusiva. In: In:
Temas em Educação IV- Jornadas 2005.
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA
DUBET, François. A escola e a exclusão. Cad. Pesqui., 2003, no.119, p.29-45.
FLEURI, Reinaldo Matias. Políticas da diferença: para além dos estereótipos na
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FOUCAULT, Michel .Microfísica do Poder. Rio de Janeiro: Graal.(1995)
------Vigiar e Punir: História da violência nas prisões. Petrópolis: Vozes, 1987.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da esperança - um encontro com a Pedagogia do
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__________. Pedagogia do oprimido, 17ª ed. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1987.
HENRIQUES, Ricardo. Raça e gênero no sistema de ensino: os limites das políticas universalistas na educação / Ricardo Henriques. – Brasília : UNESCO, 2002.
LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÂO NACIONAL ( Lei 9.394 / 1996)
MANTOAN, Maria Teresa Eglér. Ser ou estar, eis a questão: Explicando o
déficit intelectual. Rio de Janeiro: WVA Editora, 1997.
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MÉSZÁROS, István. A educação para além do capital / István Mészáros; tradução de Isa Tavares. São Paulo: Boitempo, 2005.
ORTIZ, Renato. Anotações sobre o universal e a diversidade. Rev. Bras. Educ.,
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SASSAKI, Romeu Kazumi. Inclusão: Construindo uma sociedade para todos.
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