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domingo, 31 de maio de 2009

A lenda de Procusto




Na velha e boa mitologia grega, havia um personagem muito cruel que se chamava Procusto. Procusto era um malfeitor que morava numa floresta. Ele tinha mandado fazer uma cama que tinha exatamente as medidas do seu próprio corpo, nem um milímetro a mais, nem um milímetro a menos. Quando capturava uma pessoa na estrada, Procusto amarrava-a naquela cama.
Se a pessoa fosse maior que a cama, ele simplesmente cortava fora o que sobrava. Se fosse menor, ele a espichava e esticava até ela caber naquela medida. Procusto foi morto pelo herói Teseu, o mesmo que depois matou o minotauro.
Para Marcos Bagno, em Pesquisa na Escola: o que é, como se faz é fácil decifrar a simbologia desse mito. Procusto representa a intolerância diante do outro, do diferente, do desconhecido. Representa a visão de mundo totalitária daquele sujeito que quer moldar todos os demais seres humanos à sua própria imagem e semelhança. É a recusa da multiplicidade, da diversidade, da criatividade, da originalidade: “Quem não se conforma ao meu tamanho, não pode andar solto por aí, a menos que vá jogando fora tudo o que eu não tenho até caber na minha medida, ou a menos que se espiche e se estique até ter o mesmo que eu e ser igual a mim”.
Para o autor em questão, o espírito de Procusto esteve presente em várias etapas da história da humanidade. Esteve presente durante a Inquisição, que condenou à fogueira tudo o que não se encaixava nos moldes da Igreja. Esteve presente na caça às bruxas, que levou milhares de mulheres, cujo único crime era saber um pouco mais que os homens a quem deviam submissão. Esteve presente na conquista da América, que representou o extermínio de civilizações inteiras de norte a sul do continente. Esteve presente no longo e doloroso processo de escravização de milhões de negros africanos. Esteve presente nos campos de concentração, onde os nazistas eliminaram milhões de judeus, ciganos, homossexuais e todo e qualquer opositor ao regime. Esteve presente nos regimes totalitários de esquerda e de direita que imperaram depois da 2ª Guerra mundial em vários países do mundo.

(digitação: Gabi)

3 comentários:

Anônimo disse...

Minha cara Lídia,
o Direito e a cama de ferro do Procusto tem tudo haver... até diria que foram feitos um para o outro, o que seria do direito se não fosse o espirito de procusto.
Ex. o princípio da isonomia, onde a cama de ferro é a própria lei.

O meu medo é de desencadear uma caçada aos procustos, e com isso nos tornarmos procustos também, o medo de se igualar ao odiado e agir de igual modo. Teseu apenas matou Procusto, mas não destruiu a cama; vão-se os procustos, fica a cama.

Gostei do seu texto. mas acredito que o real problema de Procusto era o desejo de arrumar as coisas ao seu jeito, a sua maneira e a sua medida. Claro que a leitura de Bagno é excelente, e a sua também.

Anônimo disse...

O sujeito solipsista, o que assujeita os outros, aquele que ainda não se deu conta da virada ontológico-linguística.

Anônimo disse...

O sujeito solipsista, o que assujeita os outros, aquele que ainda não se deu conta da virada ontológico-linguística.