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quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Escravidao Africana


(imagem :Recanto da Lidia)

Teria a execução do acintoso bill resolvido o difícil problema, ou, pelo menos, atenuado os efeitos do tráfico?
Segundo dados seguros, fornecidos pela estatística, impõe-se a responsabilidade negativa.
O bill naufragou de encontro á pertinácia interesseira dos traficantes, que se arriscavam a todos os perigos para auferir os grandíssimos lucros que lhe advinham do seu repulsivo comércio.
Demais, não é despropósito conceber tal ou qual espírito de resistência patriótica e de aventura guerreira, manifestado por portugueses e por brasileiros, que viam as respectivas nacionalidades sob o domínio da força, limitadas em sua soberania. Não seria a primeira vez em que o interesse mercantil se casasse com um estímulo
patriótico.
Indubitável é que, não obstante a execução vigorosa e, por vezes, exagerada, do Bill-Aberdeen,o tráfico recrudesceu...
Em cada um dos anos anteriores á decretação do famoso bill, a importação fora de 20.000 a 30.000 negros africanos. Pois bem, no ano de 1846 subiu a 50.000, no seguinte a 56.000 , e em 1848, a 60.000. Em 1849 baixou, apenas um pouco; entraram, todavia, 54.000 escravos por contrabando, zombando do cruzeiro inglês e de todo o aparelho repressivo que o bill instituíra.
Era, pois ,imprescindível, a bem da nossa dignidade nacional, cuidarmos de resolver o problema por nós mesmos. Foi a esta grande obra que se dedicou o Gabinete presidido pelo senador José da Costa Carvalho,sendo o ministro da justiça, Euzébio de Queiroz, o verdadeiro orientador do movimento.
Mostra-nos um coetâneo de quanta habilidade deu provas este notável estadista. Ele mesmo, em discurso proferido dois anos depois da lei, e já aqui citado, apresenta os fatores da momentosa reforma. Segundo Eusébio de Queiroz, a excessiva importação de africanos, nos anos que se seguiram ao vexatório Bill-Aberdeen,
começou a causar apreensões aos homens mais esclarecidos da nossa política , que notavam, dia a dia, mais acentuado o desenquilíbrio entre as duas classes - a livre e a escrava - empregadas na lavoura , e previam sérios perigos para a ordem pública.
Por outra parte os fazendeiros, que havim realizados grandes compras de escravos e para este fim hipotecado suas propriedades e assumido outras obrigações , viam-se frequentemente desiludidos com a perda de muitos africanos , que, logo nos primeiros tempos da introdução nas fazendas , morriam, em razão dos maus tratos da viagem, das diferenças de clima e alimentação , dos novos hábitos do trabalho. Daí resultava "a nossa propriedade territorial ir passando das maõs dos aglicultores para as dos especuladores e traficantes", portadores dos títulos de dívida,representativos de compras inconsiderados de escravos.
Tinha, portanto, em cinco anos , esmorecido a resistência oposta á abolição do tráfico, criando-se uma atmosfera mais favorável ás idéias civilizadoras: - o interresse ainda uma vez vinha ao encontro do humanitarismo; o egoismo fazia causa comum com o altruísmo.

Do livro: A escravidão Africana no Brasil

(pág.50)

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