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quarta-feira, 24 de outubro de 2007

A Lenda do Erva Mate

Era sempre a mesma coisa: a tribo derrubava
um pedaço de mata, plantava mandioca e o milho, mas depois de quatro ou
cinco anos a terra se exauria e a tribo precisava emigrar à terra além.

Conta a lenda que um velho guerreiro carijó cansado de tais andanças e
não podendo mais caçar nem guerrear devido à sua avançada idade e à
doença, recusou a seguir adiante e preferiu quedar-se na tapera.
A mais
jovem de suas filhas a Yari ficou entre dois corações: seguir adiante,
com os moços de sua tribo, ou ficar na solidão, prestando arrimo ao
ancião até que a morte o levasse.
Ela ficou com seu velho pai , isso
entristecia muito o velho índio , pois sua filha Yari não tinha contato
com outras jovens de sua idade porque ficava lhe fazendo companhia e
não seguiu com a tribo.

Um dia , quando o velho estava só com a filha, apareceu um estranho
guerreiro, vindo de muito longe, pedindo pousada. Dias após, o viajante
que ficara amigo do velho índio contou que era um pajé enviado de Tupã
e perguntou-lhe: - o que te falta, meu bom amigo? E o velho disse que
gostaria de ter companheiro cheio de paciência, que nada criticasse e
que o distraísse em sua velhice. Que lhe desse a força do calor que tem
a amizade das mãos amigas. Só assim poderia deixar Yari em liberdade
para seguir a sua vida.

O enviado de Tupã respondeu que então vou lhe dar uma planta muito
verde para que você colha as folhas e seque-as ao fogo , triture e
coloque-as dentro de um porongo, acrescentando água quente ou fria e beba
esta infusão com um canudo de taquara.

" Nesta bebida nova, você achará uma companhia saudável, até mesmo
nas horas tristes da solidão ".
.
Foi assim que nasceu a bebida caá-y que os brancos mais tarde adotaram
com o nome de chimarrão.

E também vou premia-lo pela generosidade de sua acolhida , tornando
imortal , sua bela e inocente filha, a quem você quer tanto. Assim a
jovem carijó Yari, foi transformada na árvore da erva-mate
que desde então existe e por mais que a cortem, sua folhagem volta a
brotar e a florir sempre mais vigorosa, permanecendo eternamente jovem.
Depois disto o misterioso pajé foi embora. Caá-Yari tornou-se a deusa
dos ervais protegendo suas selvas , favorecendo os ervateiros,
abreviando seus caminhos , diminuindo-lhes o peso dos feixes e
mitigando-lhes a árdua e cansativa jornada de trabalho nos ervais.


(Lenda indígena)

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