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sexta-feira, 28 de março de 2008

Pra Minha Mãe

Minha mãe coruja,
eu sou seu filho
cara suja.

Mãe, esta é boa,
cresci e não aprendi
com quantos paus
se faz uma canoa.

E ainda acho
de mentir e ficar
com cara de tacho.

Mas um dia acabo
descobrindo o que acontece
se a porca torcer o rabo.

Minha mãe coruja,
eu sou seu filho
cara-suja.

Mas não se amue:
cresci e virei
moleque de rua.

Só que já é noite
e chove com trovão.
Que saudade eu tenho,
mãe, de sua benção.


Sergio Antunes

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