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segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Pra minha filha

José J. Veiga

"A palavra escrita sempre me atraiu. Eu ainda não sabia ler, e já ficava olhando as letras em pedaços de jornal, em rótulos de qualquer coisa, em calendários de parede (livro era coisa rara, onde havia adultos não deixavam a criança pegar), depois tentava imitar as letras com carvão nas lajes do calçamento, nas paredes ,no
chão com gravetinho. Quando não havia o que copiar, eu inventava letras-minhas e saía escrevendo-as onde podia.
Quando resolvi experimentar escrever, não consegui da primeira vez.
Escrevi uma história , não gostei. Escrevi de novo, não gostei, e desanimei. Eu
estava descobrindo que ler é muito mais fácil que escrever. Mas quando a gente joga a toalha , entrega os pontos num assunto que sente que é capaz de fazer, fica infeliz ;e acaba voltando á luta. Voltei a tentar ,apanhei , caí , levantei -
até que um dia escrevi uma história que, quando li de cabeça fria, achei que não estava ruim; com uns consertos aqui e ali ,ela ficaria apresentável. Consertei,e
gostei do resultado . Animado, escrevi outras e outras histórias, nessa batalha permante . Mas é uma batalha curiosa: as derrotas que a gente sofre nela não são derrotas, são lições para o futuro .
Desde que comecei a escrever, procuro uma unidade para a mina obra.
E antes de tudo sou um artesão, gosto de escrever de forma meticulosa e procuro sempre trabalhar muito o meu texto. De "A Hora dos Ruminantes", por exemplo, fiz
sete versões. A rigor, accho que desta forma consigo passar para os leitores
um livro mais limpo, mais direto , permitindo-lhes o prazer da leitura."

***

Tomei emprestada esta frase do autor e dedico a minha filha , Francine.


"As derrotas que a gente sofre nela não são derrotas, são lições para o futuro."

Lembre-se disso minha filha ,tudo passa!

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